Adaptado do livro homônimo escrito por Don Winslow, Crime 101 foi lançado nos cinemas dos Estados Unidos em fevereiro de 2026 antes de chegar aqui diretamente no Prime Video em 1º de abril. Um lançamento surpresa, sem comunicação real… e por um bom motivo, com um orçamento colossal para a plataforma de cerca de US$ 90 milhões, o filme arrecadou apenas US$ 70 milhões nas bilheterias americanas.
Um fracasso bastante significativo apesar de um elenco atraente, reunindo atores que interpretaram super-heróis na Marvel e na DC Comics: encontramos assim Chris Hemsworth, aliás Thor na Marvel, no papel principal, mas também Mark Ruffalo, aliás Hulk, Halle Berry, aliás Mulher-Gato e, finalmente, Barry Keoghan, um dos Eternos na Marvel, também visto no lado Netflix no filme Peaky Blinders.
Além do elenco, Crime 101 tem, no papel, tudo para seduzir, inspirando-se em particular no filme cult de assalto Aquecer por Michael Mann. Chris Hemsworth interpreta Davis, um ladrão metódico que se recusa a usar violência. Mas o Detetive Lubesnik (Mark Ruffalo) sai em sua perseguição, assim como Orman (Barry Keoghan), um criminoso violento e impiedoso…
Crime 101 : apesar de algumas boas ideias, Prime Video não aguenta o novo Heat
Embora seja comercializado como um filme de assalto Crime 101 não brilha com as suas cenas de crime organizado, que de qualquer forma não são muito numerosas. Se Aquecer havia chocado o mundo inteiro, com cenas de tiroteios que viraram culto, inspirando até um verdadeiro ladrão francês, a nova produção do Prime Video acaba se revelando bastante mesquinha na ação.
A reaproximação com Aquecer encontra-se antes na relação entre o personagem de Chris Hemsworth e o de Mark Ruffalo: um criminoso com um passado misterioso que mantém um verdadeiro senso de honra, em oposição a um policial desiludido que, embora esteja do lado bom, vê os excessos do sistema que deveria defender.

©Prime Vídeo
Essa ambigüidade moral também se encontra nas decisões tomadas pela personagem interpretada por Halle Berry. A atriz, que estreou no cinema há 35 anos, interpreta uma mulher de 53 anos, que fez carreira numa seguradora de pessoas muito ricas e que se depara com um teto de vidro causado por um sistema patriarcal e sexista.
Mas apesar de todas essas boas ideias e da edição às vezes inteligente, com transições bastante inventivas entre as cenas, o filme nunca decola realmente. Com 2h19 de duração, este thriller arrasta-se demasiado, sem nunca nos surpreender. A oposição entre Chris Hemsworth e Mark Ruffalo permanece a anos-luz de distância daquela entre Robert De Niro e Al Pacino em Aquecer.
Crime 101 portanto, continua sendo um bom entretenimento para os fãs de filmes de gangster e thrillers policiais, mas infelizmente não deve marcar a história do cinema como sua principal inspiração. Porém, o Prime Video também lançou no dia 1º de abril uma das séries mais engraçadas do ano, que recomendamos fortemente.