Livro. Em 2021, Mireya e Carmen, um casal de mulheres que vive numa região remota do Chile, publicam o seu primeiro post no Instagram. Uma foto de família com a filha de 8 anos e o bebê. Poucos meses depois, logo após a entrada em vigor da lei chilena que abriu o casamento e a filiação a casais do mesmo sexo, as duas mulheres publicaram uma nova série de fotos. Desta vez, nós os vemos no cartório de estado civil assinando papéis e depois segurando seu livro de registros familiares. “Dia histórico, nossos direitos são reconhecidos”eles comentam. Três meses depois, novamente, a família posa em frente ao “bandeira da diversidade sexual exibida pela primeira vez” em sua pequena cidade.

O que os novos direitos mudam para os pais LGBT+? Qual o seu impacto no dia a dia destas famílias, seja na relação com a administração, com a carreira, com a família? Por outro lado, como as leis podem atrapalhar suas vidas?

Este é o tema do estudo realizado pela socióloga e cientista política Emilie Biland, professora universitária da Sciences Po, com 89 pais, 71 magistrados e advogados e 11 activistas, trabalho que relata no seu livro Pais em busca de direitos – minorias sexuais e de gênero (Presses de Sciences Po, 272 páginas, 24 euros). Entre 2018 e 2025, a pesquisadora se estabeleceu em três países com contextos diferentes: Chile, Quebec e França. Uma escolha de terreno que oferece uma visão fascinante sobre as consequências das decisões tomadas por cada governo e legislação.

Efeitos diários e reais

Em França, a lei de bioética abriu a procriação medicamente assistida (MAP) a casais femininos e mulheres solteiras em 2021, ao mesmo tempo que regulamenta as técnicas reprodutivas e o estado civil de forma mais rigorosa do que nos outros dois países. No Quebec, a filiação está aberta a casais do mesmo sexo há mais de vinte anos (2002). Enquanto no Chile, desde a lei de 2022, a lei de filiação é mais aberta do que na França.

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