Todos sabemos que o PS5 é tecnicamente um PC. Mas ver Steam e GTA 5 rodando no Linux, em 1440p a 60 FPS com Ray Tracing, é outra história.

Sabíamos disso desde o primeiro dia, mas vê-lo em ação é um choque para quem gosta de mexer em suas máquinas.
O PlayStation 5, essa fortaleza de software que a Sony protege com fervor quase religioso, acaba de se transformar em um PC comum rodando Linux. E não qualquer PC: uma máquina de guerra capaz de lançar Steam e rodar GTA 5 com fluidez insolente.
Foi Andy Nguyen, também conhecido como theFlow, uma figura lendária na cena hack, quem compartilhou esta demonstração. O resultado é interessante.

Vemos o GTA 5 da Rockstar rodando em 1440p (2560 x 1440 pixels) a constantes 60 quadros por segundo. Ainda mais forte, o O Ray Tracing está ativado em modo alto, o que prova que o hardware está sendo utilizado em todo o seu potencial.
Tudo funciona aqui. O som está aí, a rede também, e as portas USB atendem a chamada. O PlayStation 5 se comporta exatamente como uma Steam Machine ou um Steam Deck com esteróides. Mas para chegar a tal resultado não bastava conectar uma chave USB e clicar em “Instalar”.
O segredo? Quebrando as barreiras da Sony
Para transformar o console, ele teve que usar um exploit chamado Bypevisor. No PS5, um hipervisor, uma camada de software ultrassegura, monitora tudo o que o sistema faz e impede o acesso direto ao kernel.
Ao contornar essa barreira, o hacker conseguiu recuperar o controle total do hardware. Uma vez neutralizado o hipervisor, o PS5 volta ao que é no fundo: uma arquitetura x86 quase idêntica à do seu computador.
Do lado da ficha técnica, estamos falando de um processador com clock de 3,2 GHz e um chip gráfico de 2 GHz. Isso está um pouco abaixo das frequências máximas teóricas do console (3,5 GHz e 2,23 GHz), mas há uma razão prática para isso. Durante seus testes em um PS5 FinoNguyen percebeu que levar os componentes ao máximo causava superaquecimento imediato. O sistema de refrigeração da versão Slim parece calibrado milimetricamente para o sistema operacional da Sony, o que deixa pouco espaço para fantasias Linux.
E em casa? Este feito diz respeito apenas a um punhado de pessoas privilegiadas. A exploração do Bypevisor funciona apenas em versões muito antigas do firmware do console. Se você atualizou seu PS5 para jogar Final Fantasy VII Renascimento Ou Inferno diverso 2já é tarde demais. A Sony já fechou as brechas há muito tempo, tornando impossível a instalação do Linux nas máquinas atuais.
Aqui vemos o que o PS5 poderia oferecer se não fosse restringido pelo seu ecossistema fechado. Com a sua potência bruta, seria um PC de sala excepcional, capaz de competir com configurações de 1000 euros.
PS3? PS4?
Além disso, uma pequena anedota, após o lançamento, o PS3 “gordo” permitiu oficialmente a instalação do Linux através da função OtherOS (por exemplo Yellow Dog, Ubuntu, etc.). Infelizmente, a Sony removeu oficialmente o OtherOS em 2010 com o firmware 3.21. Quanto ao PS4, ele nunca ofereceu suporte oficial ao Linux como OtherOS no PS3.

Por outro lado, as explorações do kernel (1.76 na época, depois 5.05, 9.00, etc.) tornam possível inicializar um kernel Linux (kexec) em um PS4 desbloqueado, geralmente a partir de uma chave USB ou de um disco externo