Assistir televisão ao vivo no seu smartphone sem consumir um único gigabyte de dados móveis está prestes a se tornar uma realidade na França, graças à implantação do 5G Broadcast apoiado pela TDF. Esta tecnologia deverá cobrir gradualmente grande parte do território até 2028.

Anunciada no MWC 2026 em Barcelona, a tecnologia 5G Broadcast visa oferecer acesso gratuito a canais lineares em terminais compatíveis. Já foi testado há vários anos, nomeadamente durante os eventos desportivos dos Jogos Olímpicos de Paris 2024.
Hoje, a televisão em smartphones depende principalmente de redes de Internet fixas ou móveis: serviços de televisão ADSL, fibra, 4G e 5G dos operadores de energia ou aplicações de streaming, ao custo de um consumo de dados por vezes significativo. Isto provavelmente devolveria visibilidade aos canais TNT que foram recentemente reformulados e que vivem um certo desencanto por parte das gerações mais jovens.

De acordo com a TDF, o 5G Broadcast oferece uma abordagem diferente. Na verdade, transpõe o princípio da TDT para o telemóvel, ou seja, a radiodifusão terrestre gratuita acessível sem assinatura de dados. Concretamente, isto significa que o fluxo de vídeo é transportado na faixa UHF em torno dos 470–700 MHz, contando com as infraestruturas e antenas já utilizadas para a TDT clássica.
Todos os smartphones 5G são compatíveis?
A nível técnico, o 5G Broadcast baseia-se num padrão padronizado pelo 3GPP e já suportado pela maioria dos chips 5G presentes nos smartphones recentes, garantem a TDF e os seus parceiros. Segundo o fabricante da infraestrutura, essa compatibilidade nativa evita – e isso é uma ótima notícia – a adição de uma antena dedicada nos terminais e ainda permite a recepção sem cartão SIM ativo, comportando-se então o smartphone como um simples receptor wireless.
Para ir mais longe
Quais são os melhores smartphones 5G e planos compatíveis em 2026?
O sinal capturado é automaticamente convertido em um formato que pode ser utilizado pelo reprodutor de vídeo do sistema, oferecendo integração tanto em aplicações de canal quanto em uma aplicação dedicada do tipo agregador.
Alguns canais disponíveis para começar
Numa primeira fase, o projecto prevê a retoma simultânea de oito a dez canais já emitidos em TDT, de forma a simplificar as questões de direitos. O utilizador poderá então aceder gratuitamente a estes programas, sem ver desaparecer o seu plano de dados, o que distingue claramente este método de recepção do clássico streaming OTT oferecido pelas plataformas ou serviços de TV dos operadores.
Para ir mais longe
Como assistir TV no seu smartphone ou tablet?
Além disso, a outra vantagem desta tecnologia é que onde as ofertas existentes dependem de streams unicast e consomem largura de banda para cada telespectador, o 5G Broadcast transmite um único stream que todos os telemóveis compatíveis podem receber, o que muda a equação técnica e económica.
Contra a saturação da rede e pelo meio ambiente
Sabemos que o vídeo já representa a maior parte do tráfego nas redes móveis e que os picos de audiência durante eventos desportivos ou culturais conduzem regularmente a lentidão ou mesmo a interrupções do serviço. Segundo a TDF, o 5G Broadcast permite responder a este problema agrupando a transmissão do mesmo programa: quer haja 1000 ou um milhão de espectadores, é transmitido um único stream. Além disso, também pudemos contar com qualidade de imagem estável e sem latência ligada a congestionamentos.
Além disso, a nível ambiental, a TDF explica que esta difusão em massa consome menos recursos do que a transmissão individual em redes móveis já procuradas por inúmeras utilizações.
Qual modelo econômico?
No entanto, permanecem questões sobre o modelo económico porque o estabelecimento de uma rede de transmissão terrestre 5G dedicada requer acordos entre a TDF, os editores de canais e as autoridades reguladoras, enquanto a TDT clássica continua a evoluir e as utilizações são cada vez mais fragmentadas entre linear e vídeo a pedido. Segundo a TDF, uma rede 5G Broadcast poderia ser implantada “a pedido” dos editores, sob o controle das autoridades públicas, o que deixa em aberto a questão da real escala da sua adoção.