As cobras têm habilidades atléticas que podem facilmente causar inveja aos atletas. Eles podem planar, subir em árvores, mas também levantar 70% do corpo e ficar em pé. E eles conseguem todas essas façanhas mesmo sem ter pernas. Há anos que os investigadores tentam perceber como conseguem estes movimentos.
Em um novo estudo publicado na revista Diário da Interface da Royal Societycientistas da prestigiada Universidade de Harvard (Estados Unidos) explicam como esses répteis conseguem ficar em pé na vertical. Combinando biologia, física e matemática, eles descobriram como cobras arbóreas, capazes de se levantar para alcançar os próximos galhos, desafiam a gravidade.
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Atividade muscular concentrada na base do corpo
Para se erguerem, a píton ametista e a cobra arbórea marrom não enrijecerão todo o corpo, o que de outra forma não exigiria muita energia. Eles simplesmente concentrarão a flexão e sua atividade muscular em um ponto estratégico: a região do corpo que sai do suporte e que forma assim uma base. Dessa forma, essas cobras economizam energia e ainda conseguem se levantar.
Se eles se erguerem dessa maneira, entretanto, deverão manter o equilíbrio. “Embora a adoção desta postura exija apenas uma força muscular modesta, são necessárias forças muito maiores para estabilizar dinamicamente o animal e evitar que ele tombe, como um pêndulo invertido. Isso explica o balanço lento e suave observado em grandes cobras eretas.“, relata a Universidade de Harvard em comunicado à imprensa.

Uma cobra em pé verticalmente. Crédito: Bruce Jayne
Uma descoberta de interesse para engenheiros
Esta descoberta não é interessante apenas para biólogos. É também para engenheiros. A modelagem, comparando a cobra arbórea a um “filamento elástico ativo”, mostra o caminho para a criação de robôs macios ou ferramentas médicas flexíveis mais eficientes.