DSeus filmes experimentais, baseados em fatos reais, serão exibidos nos cinemas franceses em janeiro: Furcy, nascido livresegundo longa-metragem do rapper Abd Al Malik (dia 14) e Nurembergdo americano James Vanderbilt (28). A primeira evoca, no início do século XIXe século, a edificante e pouco conhecida história de um escravo da Ilha Bourbon (Reunião), Joseph Madeleine Furcy, filho de uma escrava liberta, que descobre com a morte de sua mãe que supostamente nasceu livre, algo que seus senhores tiveram o cuidado de esconder dele. Ajuizou contra eles uma ação que durou vinte e oito anos e que ganhou em cassação em 1843, aos 56 anos.

Nuremberg acontece durante o julgamento de mesmo nome, que julgou os principais criminosos nazistas no final da Segunda Guerra Mundial. O filme foca mais particularmente na história de Douglas Kelley, um jovem psiquiatra responsável por avaliar a saúde mental do acusado. Convencido de poder detectar uma tipologia psiquiátrica da personalidade nazista, formou um vínculo especial com Hermann Göring, criador da Gestapo, Ministro da Aviação do Reich, inveterado viciado em morfina e grande manipulador perverso. Contudo, ele concluirá que essas personalidades são banais e surgirão profundamente afetadas.

O que conecta esses dois filmes é óbvio. Relatando um acontecimento do passado, cada um deles, no entanto, informa a provação do seu tempo. Furcy alerta sobre a amnésia em torno do papel da França no tráfico, e surge deliberadamente quando um projeto de lei foi apresentado em setembro de 2025 no Parlamento para revogar simbolicamente o Code Noir, que regulamenta a questão da escravatura em França desde 1685, embora tenha se tornado obsoleto desde a sua abolição em 1848. Nuremberg acompanha um homem que, em contacto com os assassinos comuns do aparelho nazi, terá notado no seu regresso – muito antes do Philip Roth do romance Conspirar contra a América (2004) – que“não há muito que possa impedir o estabelecimento de um regime nazista” nos Estados Unidos.

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