Alma tinha 9 anos em 1990, quando, num domingo de maio, enquanto voltava sozinha da feira escolar, um homem a seguiu e a estuprou na escada de seu prédio. Ao descobrirem a filha chorando e muda, os pais a levaram à delegacia para prestar queixa. Vinte anos depois, grávida, Alma recebe um telefonema da brigada de proteção de menores anunciando que, graças aos avanços científicos ligados à análise de DNA, o caso foi reaberto. Este trovão traz à tona o trauma que ela havia enterrado, mas que contaminou insidiosamente sua existência.
Ao adaptar livremente a brilhante história autobiográfica de Adélaïde Bon A garotinha no bloco de gelo (Grasset, 2018), Pauline Bureau trabalha sobretudo na pedagogia: à história íntima de Alma acrescenta, paralelamente, a reconstrução da meticulosa investigação policial que levará à prisão do estuprador em série. A história é verdadeira. Giovanni Costa, apelidado “O Eletricista” pela polícia porque alegou precisar de ajuda para acessar um medidor ou trocar uma lâmpada antes de abusar de meninas, causou mais de trinta vítimas, entre 6 e 13 anos, entre 1990 e 2003, em Paris. Confuso em 2012, ele será condenado a dezoito anos de prisão em abril de 2016.
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