Ttodo mundo conhece o coala. Melhor ainda, todo mundo adora coalas. Mesmo na noite das eleições, numa família parisiense plural de esquerda, dizer o seu nome é suficiente para baixar a temperatura. O seu rosto fofo, o seu olhar atônito, a sua reputação pacífica e necessariamente frágil tornam-no, é verdade, bastante irresistível.
Todo mundo conhece o coala, ou melhor, pensa que o conhece. Durante muito tempo, por exemplo, aceitou-se que o pequeno marsupial fosse noturno. Como prova, ele passou todos os dias dormindo sentado em sua árvore. Até que, em 2009, uma equipe australiana teve a audaciosa ideia de colocar etiquetas GPS no plácido animal. O que se seguiu foi a observação de que ele se movia em média 53,6 centímetros por dia e 63,3 centímetros à noite. Dizia-se também que ele tinha fome de eucaliptos, todos eucaliptos. Porém, das 800 espécies conhecidas, os coalas, dependendo da região, consomem apenas de três a cinco. O que não é pouca coisa, é preciso admitir: os taninos e a lignina que saturam essas folhas tornam-nas não comestíveis para quase todos os outros animais. O fato permanece: o animal sabe do que gosta e se apega a isso.
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