Nos últimos anos, a investigação científica fez grandes progressos na China. O país pode orgulhar-se de desenvolver a sua própria inteligência artificial (DeepSeek, Qwen, etc.) e robôs humanóides (Unitree, EngineAI…), sem esquecer as suas florescentes indústrias de painéis solares e carros elétricos. E agora o governo quer fazer o mesmo com as interfaces cérebro-máquina (BCI).

Tal como o seu plano “AI Plus”, que define objetivos em matéria da IA ​​até 2035, a China revelou recentemente a sua intenção de competir com empresas que desenvolvem implantes redes neurais como Neuralink e Synchron. Um documento elaborado por sete departamentos do governo chinês define objetivos para se tornar líder mundial nesta área e, em particular, as inovações técnicas necessárias até 2027, para ter uma indústria competitiva até 2030.

Ensaios clínicos já em andamento

Serão necessárias 17 etapas, incluindo o desenvolvimento de chips mais eficientes para capturar sinais neurais e melhores algoritmos para decodificá-los, a padronização de tecnologias e, por fim, o estabelecimento de uma linha de produção. A China planeja desenvolver diferentes eletrodos para diferentes regiões do cérebro, incluindo cada lado do dura-máter e no córtex cerebral, utilizar diversos materiais e explorar sensores com base no luzeletricidade, campo magnéticoO reações químicas ou mesmo o ultrassom.

E a China não está começando do zero. Já tem empresas que desenvolveram implantes neurais, algumas das quais começaram ensaios clínicos. A NeuroXess já testou seu implante em seis pacientes. Pela metade, tornou possível controlar um computador, como o implante Neuralink. Para os outros, ele conseguiu decodificar a fala, em chinês, é claro. Da mesma forma, a NeuCyber ​​​​NeuroTech já testou seu implante Beinao-1 em cinco pacientes que conseguem controlar um computador e um smartphone. O seu cientista-chefe, Minmin Luo, estima que esta tecnologia poderá ajudar entre um e dois milhões de pacientes na China.

Além da medicina: múltiplas aplicações

O documento indica que além de auxiliar pessoas paralisadas, as interfaces cérebro-máquina poderiam analisar a atividade cerebral em tempo real para prevenir certas doenças, ou monitorar o estado de alerta dos motoristas e alertá-los em caso de fadiga ou desatenção, a fim de reduzir o número deacidentes.

Esta política não se aplica apenas aos implantes, mas visa promover todos os tipos de interfaces cérebro-máquina que possam assumir a forma de sensores colocados na cabeça, na testa ou nas orelhas, e que possam ser integrados em auscultadores, capacetes ou mesmo óculos. O documento também propõe o desenvolvimento de BCIs para melhorar a segurança em áreas de risco, como o manuseio de produtos perigosos, mineração, instalações nucleares ou elétricas. Esses dispositivos podem soar um alerta em caso de envenenamento, desmaio ou queda dos níveis de oxigênio.

A China apresenta uma estratégia ambiciosa no domínio das interfaces cérebro-máquina. Mas por trás da promessa científica, muitos já veem o início de uma distopia. O país possui um sistema de crédito social e controla rigorosamente a expressão online. O acesso direto ao cérebro da população poderá, a longo prazo, não se limitar mais ao monitoramento de ações ou palavras, mas até mesmo dos pensamentos mais íntimos.

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