CAlguns franceses de diversas origens optam por emigrar para o país dos seus antepassados. Várias razões podem explicar estes afastamentos. O clima político, marcado por uma forma de normalização do discurso de extrema direita, é um deles. Mas outros factores também entram em jogo, nomeadamente um mercado de trabalho que ainda luta para lhes abrir totalmente as portas e os leva a procurar novas oportunidades noutros lugares. Neste contexto, circulou um boato, já negado pelo governo, sobre a criação de um alto comissariado para a diversidade e as diásporas.
O uso, aqui, do termo “diáspora” não é insignificante e é, como escreveu o sociólogo Pierre Bourdieu, parte desses “palavras que não parecem nada, mas pelas quais passa toda uma filosofia, toda uma visão do mundo” (Contre-feux, volume euerRazões para Acção, 1998). Inicialmente, este termo está ligado à história das populações judaica, armênia e libanesa e define os povos “dispersos, expulsos do seu país, que mantêm ligações emocionais, culturais, económicas ou políticas entre si para além das fronteiras”. Muitos franceses de origens diversas não mantêm necessariamente relações económicas, religiosas, tradicionais ou linguísticas com o país de origem dos seus pais ou avós, e pode-se perguntar legitimamente se é relevante falar de “diáspora” em relação a eles.
Com o seu conceito de “ilusão do provisório”, o sociólogo Abdelmalek Sayad sublinha um ponto fundamental: ao chamar os filhos e netos dos imigrantes de “diáspora”, mantemo-los simbolicamente na condição de eternos passageiros, como se a sua presença em França ainda não fosse, cinquenta anos depois, mais do que uma escala técnica. O jornal marroquino Como é, assumido por Correio internacionaldá-lhe razão num dos seus títulos: “O “retorno” dos filhos dos imigrantes, um fenómeno crescente em Marrocos”. Este não é um influxo massivo como o título parece indicar, mas uma tendência.
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