
A esperança diminui nesta quarta-feira para os familiares das 21 pessoas ainda desaparecidas após as chuvas torrenciais que deixaram 46 mortos no sudeste do Brasil, segundo um novo relatório oficial, enquanto muitas vítimas têm que praticamente começar do zero.
Agora é improvável que se encontrem pessoas vivas sob os deslizamentos de terra, disseram à AFP bombeiros que participam de operações de resgate em Juiz de Fora, uma cidade de cerca de 540 mil habitantes onde se esperam chuvas mais intensas até sexta-feira.
As vítimas perderam a vida em inundações, desmoronamentos de edifícios, deslizamentos de terra e outros deslizamentos de terra.
“Nossa família está desesperada”, disse Josiane Aparecida, uma cozinheira de 43 anos, aos prantos, à AFP, procurando os filhos de sua prima, de 6 e 9 anos, bem como seu companheiro nos escombros de Juiz de Fora.
Seu primo estava vivo quando os bombeiros chegaram, mas morreu poucas horas depois no hospital. O corpo da tia dele, que morava no mesmo local, já foi encontrado.
A casa onde morava essa família, no bairro Paineiras, estava soterrada pela lama.
“Estamos lutando para manter a esperança, é muito difícil”, lamenta.
“É horrível, eram crianças adoráveis, brincava muitas vezes com eles. Faz dois dias que não durmo, não tomo banho, mas vou ficar aqui até encontrá-los”, acrescentou o marido, Rafael David Gerardo, 44 anos, que veio com uma pá para ajudar os bombeiros.
A poucos quarteirões de distância, as equipes de resgate extraíram o corpo de um homem que, antes de morrer, conseguiu tirar a esposa de casa durante um deslizamento de terra, informaram os bombeiros à AFP.
– Limpeza –
Em Ubá, cidade de cerca de 107 mil habitantes a cerca de cem quilômetros de Juiz de Fora, foi a enchente do rio de mesmo nome que semeou o caos.
As ruas do centro da cidade estão cobertas por uma espessa camada de lama, repleta de lixo, e os comerciantes calçados com botas estão ocupados limpando suas lojas devastadas.
Manequins de lojas de roupas, bonecas, colchões… Todo tipo de objetos cobertos de manchas marrons são colocados ao longo da calçada.
Felippe Souza Lima, 30 anos, dono de uma loja de equipamentos de construção, percebeu a dimensão do desastre ao ver duas pessoas viajando de canoa por uma rua alagada.
“Perdemos muita coisa, foi um caos. Normalmente, durante as enchentes, a água transborda um pouco perto das margens, mas dessa vez afetou grande parte da cidade”, afirma.
– Renúncia –
Do outro lado da rua, próximo à margem onde uma ponte foi destruída pela força da água, Mauro Pinto de Moraes Filho, comerciante de 63 anos, observa, com ar de decepção, enquanto um guincho retira carros novos inutilizados pela enchente.
Resignado, ele fechará as portas.
“Conseguimos ver a marca deixada pela água, subiu para dois metros. Depois de uma catástrofe destas, seria uma loucura gastar muito dinheiro para reconstruir”, afirma, calculando os seus prejuízos em cerca de 5 milhões de reais (cerca de 825 mil euros).
Nos últimos anos, o Brasil passou por diversas tragédias ligadas a fenômenos climáticos extremos: enchentes, secas e até fortes ondas de calor.
Em 2024, as enchentes atingiram o sul do país e mataram mais de 200 pessoas, afetando 2 milhões de residentes, um dos piores desastres naturais da história moderna do Brasil.
Em 2022, uma violenta tempestade matou 241 pessoas na cidade de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro.
Os especialistas associaram a maioria destes acontecimentos mortais aos efeitos das alterações climáticas.