Blocos gigantes de gelo dão uma aparência quase ártica ao Elba, 50 quilómetros a montante de Hamburgo, no norte da Alemanha, um fenómeno invulgar que paralisa a navegação fluvial e ameaça a região com inundações.

A formação de grandes quantidades de gelo deve-se a um episódio de frio intenso desde o início de janeiro, tendo as temperaturas descido para -15°C durante a noite de 10 para 11 de janeiro.

Este padrão climático levou à formação de uma camada de gelo com várias dezenas de centímetros de espessura a montante da barragem de Geesthacht, explicou Tilman Treber, responsável pela navegação neste troço do Elba na Autoridade de Hidrovias (WSV), à AFP na segunda-feira.

Cerca de dez navios quebra-gelo foram mobilizados durante quase duas semanas a montante da barragem, com o objetivo de fragmentar o gelo na tentativa de reabrir a passagem e, sobretudo, evitar que a sua acumulação provoque uma perigosa subida do nível das águas e inunde a região.

Os mantos de gelo partidos foram levados rio abaixo pela corrente e depois acumularam-se no sopé da barragem, numa zona de forte turbulência.

Em poucos dias, essas massas formaram blocos de até 10 metros de altura, em toda a largura do rio, mais de 300 metros.

A situação não tem precedentes desde o inverno de 2012-2013, observa o Sr. Treber.

Espectadores abrem caminho através de grandes pedaços de gelo e blocos encalhados ao longo das margens do Elba, perto de Geesthacht, norte da Alemanha, em 19 de janeiro de 2026. (AFP - DANIEL REINHARDT)
Espectadores abrem caminho através de grandes pedaços de gelo e blocos encalhados ao longo das margens do Elba, perto de Geesthacht, norte da Alemanha, em 19 de janeiro de 2026. (AFP – DANIEL REINHARDT)

Dezenas de curiosos aproveitaram o bom tempo desta segunda-feira para caminhar entre os blocos de gelo que surgiram na costa, que lembram icebergs, notou um fotógrafo da AFP.

A intervenção dos quebra-gelos para limpar esta área é delicada, porque só pode ser feita de forma gradual, dependendo das marés: os blocos de gelo só podem ser evacuados durante a vazante, quando a água flui em direção ao mar, explica Treber.

Segundo o WSV, é difícil saber quando a navegação, interrompida desde 10 de janeiro, poderá ser retomada, porque as temperaturas deverão cair novamente e levar à nova formação de gelo.

“No passado, esse tipo de situação era um pouco mais comum”, diz Treber. O aquecimento global tornou estes episódios mais raros, acrescenta.

Na própria Hamburgo, o tráfego não foi afetado, graças à implantação de vários quebra-gelos na semana passada, garantiu a autoridade do maior porto da Alemanha.

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