Os eurodeputados aprovaram na quinta-feira um projeto de lei que visa relançar o investimento em barragens francesas, através da resolução de um litígio com a Comissão Europeia, mesmo que as concessões feitas em Bruxelas dividam a classe política.

O texto é apoiado pelo ministro da Economia, Roland Lescure, e por deputados que vão dos comunistas à LR. O RN absteve-se e a LFI votou contra. Agora terá que ir ao Senado.

Embora a hidroeletricidade representasse a segunda fonte de produção de eletricidade depois da energia nuclear em 2024, investimentos essenciais para estas obras estão atualmente impedidos devido a inseguranças jurídicas.

Em causa estão dois processos da Comissão Europeia contra França, um de 2015 relativo à posição dominante da EDF na hidroeletricidade e o segundo, de 2019, relativo à ausência de reconcorrência para concessões caducadas.

O texto de Marie-Noëlle Battistel (PS) e Philippe Bolo (MoDem) prevê assim alterar o regime jurídico das barragens. A maior parte é actualmente explorada em regime de concessão: as obras pertencem ao Estado e a exploração é confiada a um operador.

À medida que os contratos mais antigos expiram gradualmente, as concessões deveriam normalmente ser colocadas novamente em concorrência, o que a França recusa.

Foi alcançado um acordo de princípio com Bruxelas: o fim do pré-contencioso contra uma reforma do regime jurídico francês. O texto propõe, portanto, passar de um regime de concessão para o de “autorização”.

O Estado terá de recomprar as concessões e compensar os operadores, que serão então responsáveis ​​pelo pagamento de uma taxa de ocupação durante 70 anos.

Mas outra medida do texto divide fortemente o hemiciclo: uma abertura do mercado hidroelétrico para tornar o acordo compatível com as exigências da concorrência europeia.

A lei proposta estabelece assim uma meta de pelo menos 40% da capacidade hidroeléctrica que deverá ser leiloada, com um volume fixado para a EDF em 6 gigawatts durante os primeiros dez anos.

“Vocês estão organizando a espoliação da nossa hidroeletricidade”, criticou Lionel Tivoli (RN), quando Matthias Tavel (LFI) denunciou uma “síndrome de Estocolmo do bom aluno da UE”.

Vários deputados da oposição estão, portanto, preocupados com o ressurgimento de um “Arenh bis”, em referência a um mecanismo de regulação dos preços da electricidade nuclear que terminou em 2025 e que exigia que a EDF vendesse parte da sua electricidade nuclear a um preço reduzido.

O Sr. Tavel denunciou nomeadamente uma reescrita no hemiciclo de parte do texto que deveria permitir à EDF não vender com prejuízo.

“Vender com prejuízo acontece na vida real”, respondeu o ministro, acreditando, no entanto, que o sistema “não teria nada a ver com Arenh”. “Não vamos forçar a EDF a vender com prejuízo o tempo todo.”

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