É uma fotografia estatística que serve para lembrar, um ano antes das eleições presidenciais de 2027, a extensão do caminho que ainda falta percorrer na luta contra os desertos médicos. Publicado a 31 de março pelo Conselho Nacional da Ordem dos Médicos, o Atlas de Demografia Médica 2026 dá uma visão geral dos cuidados oferecidos pelos 245.847 profissionais no ativo, assalariados ou independentes: feminização da profissão, crescente apelo da prática assalariada, rejuvenescimento, aumento do número de médicos… Fortes tendências confirmam-se, num panorama ainda marcado por desigualdades. Estas dizem algo sobre os limites da acção política nesta área, enquanto o candidato Emmanuel Macron se comprometeu, em 2017, e novamente em 2022, a lutar contra os desertos médicos.
No entanto, as clivagens territoriais mantêm-se, ainda que o número global de profissionais continue a aumentar (+1,9% desde 2025), resultado do aumento do número de estudantes de medicina nos últimos anos. As desigualdades agravam-se ainda entre os “territórios vencedores”, na costa atlântica, nas costas bretãs e na fronteira com a Suíça, ou mesmo nas metrópoles com centro hospitalar universitário, e os “territórios perdedores”, ainda largamente localizados ao longo de um vazio diagonal que atravessa o país de noroeste a sudeste, particularmente no seu centro.
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