O carro anda devagar pela pequena e esburacada estrada de terra. Os tremores fazem com que Julie-Sara Foulon tenha uma sensação de déjà vu. Aos 28 anos, a jovem regressa pela primeira vez a Dessié, sua cidade natal, localizada na região de Amhara, no norte da Etiópia, desde que foi levada de lá ainda criança. Vinte e dois anos desde que ela pisou na terra onde nasceu e não voltou a ver a mãe biológica. Na pequena sala de sua casa com paredes verdes pastéis, Askale Mekonnen, com um xale branco nos ombros, prepara café enquanto cantarola. Seus olhos amendoados, com algumas rugas nos cantos, brilham. Ela encontrou sua filha.
Em 2003, então mãe solteira em circunstâncias muito precárias, confiou Julie-Sara e uma das suas irmãs aos serviços sociais de Dessié. “Para mim, foi temporárioela lembra. Eles iriam cuidar dela por alguns meses, enquanto minha situação melhorava.. Depois de vários dias, me ofereceram para mandá-los para os Estados Unidos para que pudessem estudar. Aceitei, com a única condição de que voltassem a Dessié de vez em quando, nas férias, por exemplo. Foi isso que foi acordado com a casa. Mas um dia eles foram embora. E nunca mais os vi. »
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