Confrontado com um défice colossal de 1,5 mil milhões de euros, o regulador considera os seus instrumentos atuais ultrapassados. Num relatório explosivo submetido à Assembleia, a Arcom apela à automatização de bloqueios para desporto e ataques a VPNs.
Pensávamos que a luta contra os downloads ilegais estava bem encaminhada, mas os piratas simplesmente mudaram de método. Esta é a clara observação feita pela Arcom esta segunda-feira, 1 de dezembro.
No seu último relatório, o polícia audiovisual dá o alarme: apesar da queda nas audiências ilícitas em geral, as ferramentas atuais já não são suficientes face à agilidade dos piratas. Na mira: quem transmite esporte ao vivo via IPTV.
Perante esta constatação, o regulador exige uma mudança “urgente” de marcha, com duas armas fatais: a automatização das sanções e a pressão máxima sobre os intermediários técnicos.
1,5 mil milhões de euros: a conta que muda tudo
A Arcom fez as contas e a conta é alta. O défice total para os titulares de direitos atinge o vertiginoso montante de 1,5 mil milhões de euros em 2023. Deste montante, a maior parte vai para conteúdos culturais (filmes, séries) com 1,2 mil milhões de euros, enquanto o desporto apresenta uma perda específica de 290 milhões de euros.
Isto pesa muito: 12% do mercado audiovisual legal evapora. Também para o Estado o prejuízo é seco, com uma estimativa de 400 milhões de euros em receitas fiscais e sociais não cobradas.
Se a “resposta graduada” (a herdeira do Hadopi) permitiu reduzir o peer-to-peer em 80% desde 2009, hoje é considerada ineficaz face ao streaming e à IPTV, que se tornaram as novas normas de consumo ilegal.
O objetivo: cortar o feed ANTES do final da partida
Este é o cerne do problema da Arcom: lentidão. Hoje, para bloquear um site que transmite ilegalmente uma partida da Ligue 1, é preciso anotar a infração, verificá-la e, em seguida, solicitar o bloqueio. Freqüentemente, a partida termina antes que o corte entre em vigor.
Para contrariar esta situação, a Arcom quer trazer à tona a artilharia pesada: automatização parcial dos bloqueios. Inspirado nos modelos britânico e italiano, este sistema bloquearia os fluxos “em tempo real”. Mas não se trata de reproduzir as falhas do “Escudo da Pirataria” transalpino e os seus casos de overblocking massivo (como o bloqueio do Google Drive por engano). A Arcom alerta que não verificará mais cada link manualmente, mas manterá a supervisão humana para controlar os sistemas de detecção dos titulares de direitos e evitar a censura indiscriminada.
“A urgência é automatizar parcialmente os dispositivos de bloqueio, especialmente para transmissões esportivas ao vivo. »
VPN e DNS: dicas dos internautas no visor
A outra implicância do regulador é o desvio técnico. Você está usando uma VPN ou DNS alternativo para acessar sites bloqueados? A Arcom está de olho em você. O relatório destaca que 66% dos consumidores ilícitos utilizam estas ferramentas para contornar as restrições.
A autoridade agora quer responsabilizar toda a cadeia. Ela quer envolver ainda mais provedores alternativos de VPN e DNS, que muitas vezes relutam em bloquear o acesso a sites piratas.
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O mais surpreendente é que a Arcom está a abordar a promoção destas ferramentas. O regulador propõe alterar a lei sobre influenciadores para proibir completamente a publicidade de métodos de evasão (como a promoção de uma VPN para assistir a desportos estrangeiros sem pagar).

Por último, o relatório apoia a criação de um crime específico para a pirataria de competições desportivas. O objetivo é agir mais rapidamente contra “sites espelho” e inviabilizar a vida de hackers profissionais.
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Fonte :
Assembleia Nacional (PDF)