
A capacidade instalada de turbinas eólicas offshore a nível mundial poderá triplicar novamente entre 2024 e 2030, apesar dos reveses nos Estados Unidos e do facto de ser improvável que alguns países cumpram as suas metas, de acordo com um relatório do think tank energético Ember.
De acordo com o estudo encomendado pela Global Offshore Wind Alliance (GOWA), a capacidade eólica offshore global poderá aumentar de 83 gigawatts em 2024, o suficiente para abastecer um máximo de 73 milhões de residências, para 238 gigawatts em 2030.
A Agência Internacional de Energia (AIE) estimou no início de outubro que o crescimento das energias renováveis como um todo estava a abrandar e que seria difícil atingir o objetivo de triplicar a sua capacidade de produção até 2030, definido durante a COP28 no Dubai.
Mas para Amisha Patel, secretária-geral da GOWA, “apesar dos recentes obstáculos enfrentados pelo setor, os fundamentos da energia eólica offshore não mudaram”.
“O impulso continua a crescer à medida que os países avançam nesta tecnologia comprovada, que é essencial para a transição para a energia limpa”, disse ele num comunicado.
Este crescimento está a ser conseguido apesar das grandes dificuldades que o sector enfrenta nos Estados Unidos desde Janeiro e do regresso à Casa Branca do republicano Donald Trump, fervoroso defensor dos combustíveis fósseis e destruidor da energia eólica.
A administração americana interrompeu alguns projetos em andamento e abriu poucas perspectivas aos investidores. De acordo com o relatório de Ember, espera-se que os Estados Unidos construam o suficiente para produzir 5,8 gigawatts entre 2025 e 2029, acima da meta de 30 gigawatts estabelecida pela administração Biden em 2021.
Outros países, como o Japão e a Coreia do Sul, deverão atingir apenas cerca de um terço das suas metas até 2030, de acordo com o relatório.
O relatório também destaca que 88 estados que possuem uma costa capaz de acomodar turbinas eólicas offshore ainda não divulgaram objetivos quantificados.
Entre esses países encontramos o Brasil, anfitrião da COP30 em novembro, que atualmente não possui turbinas eólicas offshore em seus 7.000 quilômetros de costa.