euOs recentes ataques contra Francesca Albanese, relatora especial das Nações Unidas (ONU) para a situação dos direitos humanos nos territórios palestinianos ocupados, não constituem uma simples polémica política. Baseiam-se na utilização de um excerto de um vídeo truncado que atribui aos seus comentários que não fez, nomeadamente que Israel é o inimigo comum da humanidade. Levantam uma questão de princípio: a do respeito pela independência e liberdade de expressão, no quadro do direito internacional, daqueles encarregados pela ONU de investigar violações dos direitos humanos.

Francesca Albanese foi nomeada em 2022 pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. O seu mandato faz parte de um sistema mais amplo que compreende treze outros relatores especiais, peritos independentes e comissões de inquérito que cobrem inúmeras situações de violações graves em todo o mundo, incluindo na Ucrânia, no Irão, no Sudão e na Venezuela.

As pessoas que desempenham estas funções não são remuneradas nem empregadas pela ONU. São muito vulneráveis ​​a ataques e não beneficiam de qualquer protecção específica, mesmo quando são chamados a documentar atrocidades em massa. A única proteção: a Carta das Nações Unidas e a Convenção sobre os Privilégios e Imunidades das Nações Unidas de 1946 garantem-lhes imunidade funcional para palavras proferidas e escritos produzidos no exercício do seu mandato. O Tribunal Internacional de Justiça recordou repetidamente a importância desta proteção face à pressão exercida pelos Estados contra relatores especiais para comentários feitos no âmbito do seu mandato.

Tentativas de desestabilização

Esses especialistas também são mantidos por um ” Código de Conduta “ exigindo integridade, imparcialidade e boa-fé. Em caso de violação, existem mecanismos específicos, em particular o “Comitê de Coordenação de Procedimentos Especiais”. Os Estados também podem decidir não renovar um mandato. O de Francesca Albanese foi, no entanto, renovado em 2025 sem oposição, por um período de três anos.

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