Para os seus defensores, Anne Hidalgo seria a presidente da Câmara mais corajosa que Paris alguma vez conheceu, com fortes convicções e determinação inabalável para eliminar os carros e reduzir a poluição, a fim de tornar a capital uma cidade mais verde e respirável. Para seus detratores, a vereadora socialista, que deixará a Prefeitura em março, após dois mandatos, seria uma impostora, escondendo sua incompetência atrás de métodos autoritários para prolongar políticas que lhe foram lançadas e cujos resultados deixam a desejar.
A realidade, como muitas vezes acontece, está algures no meio. Ao passar o testemunho ao seu sucessor, Anne Hidalgo não virará apenas a página de dois mandatos como prefeita. É um quarto de século de vida política que ela colocará nas suas caixas: ao ingressar no Conselho de Paris após a eleição de Bertrand Delanoë, em 2001, foi imediatamente nomeada primeira deputada, e ocupou esse cargo até 2014, antes de se tornar ela própria presidente da Câmara. O seu percurso confunde-se com o do seu antecessor, da mesma forma que o candidato socialista da União de Esquerda (excluindo La France insoumise), Emmanuel Grégoire, não se pode separar do de Anne Hidalgo, de quem foi o primeiro deputado de 2018 a 2024.
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