Pinguim-do-cabo, maçarico-colher, tubarão-tigre… O número de animais selvagens migratórios em risco de extinção aumenta sob os efeitos das mudanças climáticas, destaca um relatório publicado em 5 de março de 2026 durante uma conferência internacional no Brasil.

Estas estatísticas atualizadas apresentam um quadro preocupante“, preocupa este relatório publicado antes da COP15 sobre a conservação de espécies migratórias da fauna selvagem, de 23 a 29 de março em Campo Verde, no Brasil. Entre as espécies listadas pela Convenção de Bonn de 1979 sobre a conservação de espécies migratórias da fauna selvagem – que publica o relatório escrito por quatro cientistas -, uma em cada quatro (24%) está ameaçada de extinção e metade (49%), ou 592 espécies, vêem sua população diminuir. Essas estatísticas representam um aumento de dois e cinco pontos percentuais, respectivamente, em comparação ao primeiro relatório deste tipo publicado em 2024.

Em animais cuja população está diminuindo, “esta mudança pode refletir melhores informações sobre as tendências populacionais, em vez de um declínio repentino desde a COP14, mas a situação continua preocupante“, sublinha o relatório, que ainda assim destaca a”maior urgência” de medidas de conservação para travar estes fenómenos.

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Ameaças diretamente ligadas à atividade humana

As aves limícolas estão particularmente preocupadas com uma ameaça ao seu futuro, tendo a maioria sofrido uma deterioração do seu estado de conservação atribuível à intensificação das ameaças, e não a alterações resultantes de um melhor conhecimento dos dados, observa o relatório.

Do lado positivo, contudo, certas espécies foram transferidas para uma categoria menos ameaçada, como a foca-monge do Mediterrâneo, a saiga e o órix com chifre de cimitarra, graças ao sucesso das medidas de conservação.

As ameaças que estes animais enfrentam estão diretamente ligadas à atividade humana: perda, degradação ou fragmentação de habitats, principalmente devido à agricultura intensiva ou à sobreexploração pela caça e pesca, bem como às alterações climáticas.

Suas migrações podem ser orientadas por diversos fatores, como a busca de condições climáticas favoráveis, o acesso à alimentação ou um ambiente ideal para o parto.

Os animais também estão sujeitos a pressões adicionais, como a poluição (pesticidas, plásticos, etc.) ou mesmo ruídos ou luzes subaquáticas que os perturbam.

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