Delphine Panique, em Toulouse, 10 de dezembro de 2025.

Na hora de escolher entre as idades da vida, a preferência vai muitas vezes para o frescor e o dinamismo da juventude, um período rico em possibilidades e despreocupação. A autora de Toulouse, Delphine Panique, 44, decidiu o contrário. Em Velhoseu último álbum, publicado pela Misma em novembro, ela leva os leitores ao contrário ao se colocar na pele de uma nonagenária de caráter explosivo. Longe do paciente e carinhoso bolo da vovó, a heroína de corpo disforme e mole assume os sotaques rabugentos da série Carmem Crude Jean-Marc Lelong (1944-2004). A cartunista – que já conta com cerca de dez álbuns, quatro dos quais integraram a seleção oficial do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême – entrega assim uma história original, divertida e comovente.

Além de seu “Fifille” que vem até ele “exibir a juventude [70 ans] na cara » e seu gato Ryan, a “Velha” segura o álbum do início ao fim, como se estivesse cara a cara. Ao longo das páginas, tingidas de elegantes tons de vermelho, rosa, marrom e cinza, revela-se o caráter forte da protagonista de Delphine Panique. Ela peida em pessoas que zombam dela no supermercado ou “foda-se” aqueles que riem dos pelos do queixo. Por trás desse lado rabugento, transparecem os problemas da velhice – arrependimentos, solidão, dores do corpo e da alma –, bem como devaneios e poesias, sugerindo a ternura da autora pelas mulheres idosas.

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