Uma porta protegida por sacos de areia, na sequência da cheia do rio Sado, em Alcácer do Sal (Portugal), 5 de fevereiro de 2026.

As autoridades portuguesas emitiram um alerta vermelho na quinta-feira, 5 de fevereiro, sobre o risco de inundação do rio Tejo na região de Santarém, devido às chuvas persistentes causadas pela depressão Leonardo em parte da Península Ibérica.

O risco de inundações “passou para o nível vermelho” para o distrito de Santarém, disse à Agência France-Presse (AFP) um porta-voz da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, enquanto as autoridades municipais do concelho de Santarém ordenaram a“evacuação obrigatória” áreas ribeirinhas dentro de sete horas.

“Desde 1997 que não vivíamos tal situação na bacia do Tejo”sublinhou em conferência de imprensa o comandante nacional da protecção civil, Mário Silvestre.

Em Alcácer do Sal (Portugal), em plena tempestade Leonardo, 5 de fevereiro de 2026.

Um município do sul de Portugal, um dos mais afetados do país ibérico pelas inundações provocadas pela tempestade Leonardo, anunciou a intenção de adiar por uma semana a votação da segunda volta das eleições presidenciais de domingo, informou a autarca Clarisse Campos à agência noticiosa nacional Lusa.

Durante uma deslocação ao local na manhã de quinta-feira, o Presidente cessante, Marcelo Rebelo de Sousa, levantou a possibilidade de as autoridades municipais atingidas pelo mau tempo dos últimos dias adiarem a votação, especificando que esta decisão é deles e não do governo ou de outra autoridade nacional.

A segunda volta das eleições presidenciais coloca um candidato socialista moderado, António José Seguro, contra o líder da extrema-direita portuguesa, André Ventura, que ficou em primeiro e segundo lugares, respetivamente, na primeira volta realizada em 18 de janeiro.

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A Península Ibérica enfrenta ainda as consequências da depressão Leonardo e das suas chuvas excepcionais de quinta-feira, entre cheias significativas e milhares de evacuações no sul de Espanha, e alerta vermelho para o risco de inundações do Tejo no centro de Portugal. Uma pessoa morreu em Portugal e uma mulher, que caiu num rio, está desaparecida na Andaluzia, no sul de Espanha, segundo relatórios oficiais.

Sexta tempestade desde o início de 2026

Em Alcácer do Sal, cerca de cem quilómetros a sul de Lisboa, o rio Sado transbordou, notaram quinta-feira jornalistas da AFP, inundando as ruas do centro da cidade e obrigando a evacuar quase uma centena de residentes. “É impressionante! »reagiu na manhã de quinta-feira o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa.

A prefeita da cidade, Clarisse Campos, disse “não ter memória” já ter visto tal tempestade em sua cidade de 11 mil habitantes. Uma semana depois da passagem devastadora da tempestade Kristin, que deixou cinco mortos no país, 76 mil clientes continuam sem eletricidade no país.

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Portugal, onde se realiza no domingo a segunda volta das eleições presidenciais, viveu o segundo janeiro mais chuvoso desde 2000, segundo a agência meteorológica nacional, IPMA.

A Península Ibérica está na linha da frente das alterações climáticas na Europa e tem vindo, desde há vários anos, a registar ondas de calor cada vez mais longas e episódios de chuvas fortes cada vez mais frequentes e intensas. A tempestade Leonardo é a sexta do tipo desde o início de 2026, em pouco mais de um mês, segundo a agência meteorológica espanhola Aemet.

Um soldado numa rua inundada em Alcácer do Sal (Portugal), 5 de fevereiro de 2026.
Rua inundada em Alcácer do Sal (Portugal), em plena tempestade Leonardo, 5 de fevereiro de 2026.

O mundo com AFP

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