De todos os acordos comerciais negociados pela União Europeia (UE), aquele com quatro países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai) é o mais politicamente sensível. Após vinte e seis anos de negociações, a Comissão Europeia deu luz verde à sua assinatura na sexta-feira, 9 de janeiro, graças ao apoio da maioria dos Estados membros. Muito controverso em França, este acordo não é, no entanto, o mais importante, a julgar pelo volume de bolsas em causa.
A região sul-americana é apenas o décimo parceiro comercial do Velho Continente, que exportou para lá 53,3 mil milhões de euros em mercadorias em 2024, metade do valor exportado para a Turquia. Em contraste, a UE é um parceiro comercial relativamente mais importante para o Mercosul, o segundo maior depois da China, com exportações no valor de 57 mil milhões de dólares (49 mil milhões de euros).
Mas o poder de exportação destes países sul-americanos na agricultura, um sector muito sensível na Europa, alimenta a controvérsia. Particularmente em França, a principal potência agrícola europeia, onde existe uma oposição unânime. Emmanuel Macron anunciou quinta-feira que a França votaria ” contra “citando o “rejeição política unânime do acordo”. A Assembleia Nacional adoptou uma resolução transpartidária na quinta-feira, 27 de Novembro, convidando o governo a opor-se a ela. Também poderá ser rejeitado pelo Parlamento Europeu no início de 2026. Cento e cinquenta eurodeputados (de 720) anunciaram finalmente que também poderiam tomar medidas legais para bloquear o acordo.
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