Para Dominique de Villepin, existem “duas ideias perigosas” que prendem o debate: “A da simetria da violência da esquerda e da direita” e a da “normalização da extrema direita”
No X, o ex-primeiro-ministro Jacques Chirac voltou em detalhes à morte do ativista de extrema direita Quentin Deranque e especialmente às reações a eles. “Quando a realidade é complicada, é preciso reservar um tempo para reflexão, para nuances, para perspectiva. O caso Quentin Deranque nos coloca diante de tal obrigação, escreve Dominique de Villepin. Em primeiro lugar, há que dizer sem rodeios: temos de denunciar toda a violência, seja ela qual for, e denunciá-la sem excepção. Temos de condenar a violência política, toda a violência política, porque não tem lugar numa democracia. Sem exceção. »
O político que, aliás, lançou o seu partido, La France Humaniste, condena a recuperação política em torno desta morte. “Há algo de perturbador em ver todo o panorama político, da esquerda à direita e à esquerda, procurando tirar partido da situação. A extrema direita é a única vencedora”, ele insiste.
“A França rebelde tem hoje uma responsabilidade particular: a de não superar e não esterilizar, numa postura defensiva e belicosa, parte do eleitorado”, acrescenta o ex-ministro. “Digo isto com veemência, porque a mudança é possível. Deve ser dito sem rodeios: a LFI faz o jogo do RN, confiando na sua retórica, tal como fazem certos líderes de esquerda, ao concordarem em encaminhar a violência consecutivamente.”ele insiste.
“Mas é aqui que a vigilância deve ser máxima: condenar a violência e criticar a LFI não deve levar-nos ao maior erro político, o de rejeitar todo o radicalismo como se fossem da mesma natureza, da mesma força, do mesmo perigo.”continua Dominique de Villepin. “Existem, de facto, duas ideias falsas, duas ideias perigosas, que prendem este debate: a primeira é a da simetria da violência da esquerda e da direita. ele lembra.
Dominique de Villepin apresenta assim os números desta violência: “A extrema esquerda fez uma vítima nos últimos cinco anos, os activistas de extrema direita fizeram onze, principalmente vítimas alvo de motivos religiosos e raciais, com motivos profundamente políticos”ele escreve.
Finalmente, segundo ele, a segunda ideia falsa, “é o da normalização da extrema direita, agora considerada parte legítima do debate político”apoia Dominique de Villepin, que acrescenta que“ao concentrar os golpes no LFI, pela tática, pelo conforto, pelo cálculo, criamos um corredor de respeitabilidade para o RN. É-lhe oferecido o que sempre sonhou: a aparência de normalidade, o privilégio de ser a resposta à desordem que ele prospera em manter. »