Uma equipa que reuniu investigadores do CNRS e vários parceiros internacionais estudou 125 esqueletos adultos de dois sítios arqueológicos húngaros: Ferenci-hát (5300-5000 a.C.) e Csőszhalom (4800-4600 a.C.). Os resultados, publicados em 16 de fevereiro de 2026 noJornal Americano de Antropologia Biológicabaseiam-se numa abordagem que combina antropologia biológica e arqueologia funerária.
Os cientistas analisaram os marcadores de atividade inscritos nos ossos: microtraumas em zonas de inserção muscular, lesões na coluna ligadas a esforços repetidos ou mesmo vestígios de posturas específicas, como ajoelhar-se prolongadamente. Estes índices foram comparados com os métodos de sepultamento (posição do corpo, orientação e objetos colocados nas sepulturas) a fim de vincular as práticas sociais às restrições. físico vivenciados pelos indivíduos.
Uma divisão de trabalho muito real e amplamente partilhada na Europa
Em ambos os locais, os esqueletos masculinos, diferentemente dos esqueletos femininos, apresentavam recorrentemente lesões localizadas no braço dominante. Essas marcas são compatíveis com atividades físicas como arremesso, corte de pedra ou marcenaria. Este perfil biomecânico corresponde a um padrão já observado noutras populações pré-históricas europeias, sugerindo a existência de tarefas predominantemente masculinas à escala continental.
Em Csőszhalom, a organização social parece particularmente estruturada. As mulheres eram ali enterradas do lado esquerdo e os homens do lado direito, estes últimos frequentemente acompanhados de ferramentas de pedra polida. Os marcadores da postura ajoelhada, muito mais comuns entre indivíduos do sexo masculino, sugerem que ocupavam determinadas funções técnicas ou simbólicas específicas, possivelmente associadas a um status distinto.

Enterro masculino característico de Csőszhalom: um homem enterrado do lado direito, acompanhado por uma ferramenta de pedra polida colocada perto do ombro esquerdo. © Alexandra Anders
Normas sociais, mas também trajetórias individuais
Se, em geral, existe uma clara diferenciação entre os sexos, o estudo também destaca lacunas significativas. A mulher era assim enterrada de forma normalmente reservada aos homens, com os mesmos atributos materiais. Este caso singular indica que estas sociedades poderiam integrar caminhos individuais fora do quadro dominante.
Os pesquisadores concluem que os papéis de gênero existiam no Neolítico, mas não eram imutáveis. Por trás de uma organização colectiva reconhecível emerge uma realidade social mais flexível, capaz de acomodar excepções e, já, uma certa complexidade de identidades e funções dentro das primeiras comunidades agrícolas europeias.