A questão é tão antiga como a das estatísticas: os números mostram a realidade, reflectem apenas uma fracção dela e, sobretudo, como interpretá-los? A primeira “fotografia” da delinquência registada em 2025, tornada pública na quinta-feira, 29 de janeiro, pelo serviço ministerial de estatística da segurança interna (SSMSI) antes da sua consolidação nos próximos meses, traça os contornos de uma avaliação contrastante, elaborada com as precauções habituais. Em primeiro lugar, aquela que se enquadra no âmbito da recolha de informação: os números comunicados quinta-feira, informa o SSMSI, “ainda não abrangem todos os fenómenos delinquentes registados: 87% dos crimes e 74% das infrações não rodoviárias são monitorizados”.
Logicamente, estes dados provêm sobretudo da actividade dos serviços de polícia e gendarmaria e, mais particularmente, das denúncias aí apresentadas. No entanto, estes oferecem apenas uma visão parcial da massa de crimes realmente cometidos. Assim, em termos de violência baseada no género e sexual, a taxa de apresentação de queixas apenas atinge 6% de acordo com estimativas do SSMSI; a da violência física é de 21%, enquanto a dos roubos ou arrombamentos de veículos é de 57%.
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