SSituada nas imediações do teatro de operações e membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Ancara vê-se confrontada com um complexo dilema estratégico. Por um lado, a sua adesão à aliança ocidental coloca-o numa rede de solidariedade política e militar; por outro lado, a sua posição geográfica e os seus interesses regionais incentivam-no a evitar qualquer envolvimento direto no conflito. Nesta perspectiva, as autoridades turcas favorecem uma estratégia destinada a conter os riscos de segurança, económicos e políticos que uma extensão da guerra poderia gerar.
As experiências dos conflitos que marcaram o Médio Oriente nas últimas décadas influenciaram profundamente a percepção da Turquia sobre a segurança regional e ajudaram a moldar uma doutrina política segundo a qual as alianças internacionais continuam a ser importantes, mas não podem superar a defesa dos interesses nacionais.
A Guerra do Golfo de 1991 constitui um precedente significativo. A Turquia optou por apoiar a coligação internacional liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque após a invasão do Kuwait. Em particular, fechou o oleoduto iraquiano que atravessava o seu território e autorizou a utilização da base aérea americana em Incirlik para operações militares. Se esta decisão reforçou a posição de Ancara no campo ocidental, também revelou os elevados custos do envolvimento em conflitos regionais. A economia turca sofreu perdas significativas devido à contracção do comércio e à interrupção de certas rotas energéticas. Além disso, o país teve de enfrentar a chegada de centenas de milhares de refugiados iraquianos, principalmente curdos, o que ajudou a internacionalizar a questão curda, uma fonte de preocupação para Ancara.
Equação estratégica delicada
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