A ideia de aproximar fisicamente a produção de energia e os data centers não é nova. Mas esta empresa leva o conceito muito mais longe ao integrar diretamente servidores informáticos no coração de uma central elétrica offshore.

Tecnologias de Aikido

Todos os ambientes parecem agora propícios à instalação de centros de dados, desde que a electricidade seja acessível e suficiente. A indústria nunca para de nos surpreender. Depois de projetos previstos no espaço, desta vez uma empresa propõe implantar data centers no mar, diretamente dentro de turbinas eólicas offshore.

Esta configuração é imaginada pela empresa Aïkido Technologies, com sede em São Francisco, que vê diversas vantagens estratégicas.

Turbina eólica e data center

Todo o segredo da configuração está na base da turbina eólica. A infraestrutura é baseada em três carros alegóricos. Ancorados ao fundo do mar, estes elementos garantem a estabilidade da plataforma, mas acima de tudo, integram os módulos do data center.

No topo está uma turbina com potência entre 15 e 18 megawatts (MW). Isto alimenta diretamente os equipamentos informáticos de bordo, cujo consumo varia entre 10 e 12 MW. O dispositivo integra ainda um sistema de armazenamento de energia para compensar a intermitência da produção eólica, mantendo-se ligado à rede eléctrica como solução de emergência.

Vista do interior de um carro alegórico. A parte inferior está cheia de água e a parte superior contém os servidores do computador. // Fonte: Aikido

Menos dependência das redes elétricas terrestres

Se os promotores de centros de dados estão a aumentar a sua criatividade, é sobretudo devido ao crescente consumo de electricidade destes sistemas. Em 2025, estas infraestruturas absorverão cerca de 448 terawatts-hora (TWh) de eletricidade a nível mundial. Para efeito de comparação, a França consumiu cerca de 547 TWh durante o mesmo ano.

A procura deverá crescer rapidamente, à medida que as redes eléctricas lutam para acompanhar o ritmo. Assim, a integração direta de um data center numa instalação eólica offshore não só reduz a dependência das redes terrestres, mas também limita os constrangimentos ligados ao transporte de eletricidade.

Ao mesmo tempo, a empresa contorna certas oposições locais que regularmente atrasam projetos energéticos ou digitais.

Mergulhe as instalações para resfriá-las

Observe que os servidores informáticos estão instalados na parte submersa dos carros alegóricos. O objetivo é aproveitar o resfriamento natural oferecido pelo ambiente marinho. Concretamente, o calor gerado pelo equipamento é transferido para as paredes metálicas dos compartimentos.

Este é então dissipado diretamente na água circundante, uma prática que não teria impacto negativo no ambiente marinho, segundo o operador.

Aïkido Technologies não é a primeira a explorar esta via de imersão. Na China, por exemplo, a empresa Hailanyun Technology submergiu data centers para se beneficiar desse resfriamento natural.

Protótipo da tecnologia em escala 1:4.

Um projeto ainda em fase experimental

Para a sociedade americana, o conceito deverá em breve passar para uma fase concreta. Um primeiro protótipo de 100 quilowatts (kW) também será implantado no mar este ano. Mas também está previsto um projeto comercial no Reino Unido até 2028, num local já identificado pela empresa.

A longo prazo, o Aïkido pretende implantar estas unidades em grande escala, na forma de parques reais capazes de fornecer potência computacional que varia de 30 megawatts a mais de um gigawatt.


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