O preço global dos alimentos a nível mundial caiu em Novembro pelo terceiro mês consecutivo, reflectindo a oferta abundante e o aumento da concorrência entre os exportadores, informou na sexta-feira a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Face às colheitas em curso, a FAO voltou a aumentar a sua previsão de produção de cereais para 2025, que deverá pela primeira vez ultrapassar os 3 mil milhões de toneladas, um aumento de 4,9% face à colheita de 2024.

Este aumento global da produção está nomeadamente ligado às boas colheitas de trigo esperadas na Austrália e especialmente na Argentina, onde “semeaduras maiores do que o esperado e rendimentos provavelmente recordes (…) deverão conduzir a uma colheita histórica”.

Colheitadeira colhendo trigo em 18 de julho de 2025 em Hede-Bazouges, no departamento de Ille-et-Vilaine, na Bretanha. A colheita mundial de todos os cereais deverá ultrapassar pela primeira vez os 3 mil milhões de toneladas. (AFP/Arquivos - Damien MEYER)
Colheitadeira colhendo trigo em 18 de julho de 2025 em Hede-Bazouges, no departamento de Ille-et-Vilaine, na Bretanha. A colheita mundial de todos os cereais deverá ultrapassar pela primeira vez os 3 mil milhões de toneladas. (AFP/Arquivos – Damien MEYER)

A produção de trigo também está a aumentar na Europa e nos Estados Unidos, tal como a de cereais grosseiros, como a cevada. E as colheitas de arroz deverão aumentar (+1,6%).

O índice de preços dos alimentos da FAO, que acompanha a evolução dos preços internacionais de uma série de produtos alimentares, caiu globalmente 1,2% num mês. Está “2,1% abaixo do nível de Novembro de 2024” e quase 22% abaixo do seu pico de Março de 2022, logo após a invasão russa da Ucrânia.

Paradoxalmente, apenas os cereais registaram uma ligeira recuperação dos preços (+1,3% num mês), impulsionados pelo aumento do trigo (+2,5%). Os preços dos cereais para pão são apoiados por “um interesse potencial da China” na produção americana, pela “continuação das hostilidades” no Mar Negro e por “uma redução esperada nas plantações na Rússia”.

Todas as outras produções estão vendo seus preços caírem.

O preço dos óleos vegetais, que em Outubro atingiu o seu valor mais elevado desde o Verão devido às encomendas de biocombustíveis e aos atrasos nas colheitas, caiu 2,6% em Novembro devido à queda dos preços dos óleos de palma, colza e girassol. O óleo de soja continua “apoiado pela forte procura de biodiesel, particularmente no Brasil”.

Colheita e armazenamento de trigo em Marbois, em Eure-et-Loire, em 11 de julho de 2025, com vista à sua exportação através do porto de Rouen. (AFP/Arquivos - JEAN-FRANCOIS MONIER)
Colheita e armazenamento de trigo em Marbois, em Eure-et-Loire, em 11 de julho de 2025, com vista à sua exportação através do porto de Rouen. (AFP/Arquivos – JEAN-FRANCOIS MONIER)

Os preços da carne variaram pouco (-0,8%) enquanto os dos lacticínios caíram 3,1% em Novembro, “sob o efeito da queda dos preços da manteiga e do leite em pó gordo”, associada ao aumento da produção mundial e da oferta exportável.

O preço do açúcar caiu quase 6% num mês, devido, nomeadamente, à abundante produção esperada no Brasil, na Índia e na Tailândia.

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