Ele foi uma daquelas imensas figuras sombrias que fizeram a história da música popular. Pilar da Stax – selo fundador do soul com a Motown –, o guitarrista, compositor e produtor americano Steve Cropper morreu na quarta-feira, 3 de dezembro, em Nashville (Tennessee). Ele tinha 84 anos.
O seu estilo de instrumentista, com uma sonoridade clara e cristalina, é praticamente consubstancial à forma de tocar este género. Mas este homem discreto, apesar da alcunha hierárquica (“O Coronel”), foi também um compositor de primeira linha que atribuiu o seu crédito aos clássicos imortais. Citaremos no preâmbulo os três mais famosos deles: Cebola Verde (1962), de seu grupo instrumental Booker T. & The MG’s (para Memphis Group), Na meia-noite (1965), “o” golpe de Wilson Pickett e (Sentado) A Doca da Baía (1968), a balada póstuma de Otis Redding.
O grande público ainda acabou descobrindo seu rosto, o de um homem barbudo, de cabelos compridos, modesto e sorridente, no filme de John Landis Os irmãos azuis (1980). Nas telas, ele era inseparável de seu companheiro de viagem, um baixista ruivo, também barbudo e com cachimbo nos lábios, Donald “Duck” Dunn (1941-2012). A dupla ficou conhecida no Booker T. & The MG’s, quarteto revolucionário do sul dos Estados Unidos que se livrou da segregação, não sem resistência racista. Aos dois sócios, o grupo somou dois músicos negros, o organista líder Booker T. Jones e o baterista Al Jackson Jr.
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