A cena é tirada de Voltaire apaixonado, publicado pela Arènes em 2017. O filósofo enterra o pai, François Arouet, com quem as relações são detestáveis. “É muito claro que depois da nossa morte seremos o que éramos antes de nascermos”, ele diz, expondo a vaidade da existência. Nada poderia estar mais longe da verdade em relação a Clément Oubrerie, quadrinista, falecido em 1er March, aos 59 anos, morreu da doença de Charcot. Além de seus dois livros dedicados aos amores do pensador iluminista, deixou para a posteridade cerca de cinquenta romances ilustrados e cerca de trinta álbuns, incluindo sua série de sucesso Aya de Yopougon, produzido com Marguerite Abouet, sua primeira esposa (oito volumes traduzidos para dezessete idiomas, mais de 800.000 exemplares vendidos).
Nascido em 1966, filho do arquiteto José Oubrerie (1932-2024), próximo de Le Corbusier, Clément Oubrerie estudou na Penninghen School of Graphic Arts. Após uma decepção romântica, ele interrompe os estudos e voa para os Estados Unidos, onde seu pai se estabeleceu, e ganha a vida trabalhando em um café em Nova York. Foi lá que publicou seus primeiros livros, destinados ao público jovem. Essas obras já testemunham sua linha leve, poética, suas amplas perspectivas e seu domínio da cor. De volta à França, conheceu, durante um jantar com amigos, Marguerite Abouet, assistente jurídica de origem marfinense, que cresceu em Yopougon, bairro operário de Abidjan.
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