
A missão “flash” da Assembleia Nacional sobre o leite infantil contaminado começará os seus trabalhos na terça-feira, tudo à porta fechada, com audições de associações e representantes das famílias, de acordo com o calendário publicado no site da câmara baixa do Parlamento.
O objetivo desta missão criada pela Comissão dos Assuntos Sociais é avaliar “a responsabilidade das multinacionais” e “a estratégia do Estado” para as conclusões entregues até junho, disse à AFP a deputada Mathilde Hignet (LFI-NFP), que será co-relatora com Michel Lauzzana (Renascença).
A primeira audiência, terça-feira à tarde, será dedicada às associações e representantes das famílias (foodwatch, Famílias Rurais, Intox’alim, associação de saúde infantil).
Seguir-se-ão, na quarta-feira, representantes do Estado – Direções-Gerais de Saúde (DGS) e Alimentação (DGAL), da Agência de Segurança Sanitária (ANSES) e da Sociedade Francesa de Pediatria, depois, na quinta-feira, especialistas em saúde e segurança alimentar da Comissão Europeia.
A vez dos fabricantes chegará no dia 31 de março com, já confirmadas, Nestlé, Danone, Lactalis, Vitagermine e Popote. Um representante da Agência Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) será ouvido ainda no mesmo dia.
Várias agências regionais de saúde (ARS), bem como direcções departamentais de protecção da população, também deverão explicar-se durante duas mesas redondas no dia 2 de Abril.
A missão irá assim estudar o mérito de diversas acusações feitas contra o Estado e os industriais por parte de famílias e associações.
A questão do leite infantil começou com o recall pela Nestlé de dezenas de lotes em cerca de sessenta países devido à presença potencial de cereulide, uma toxina que pode causar vómitos perigosos num recém-nascido.
Depois, cresceu com uma cascata de recalls semelhantes por parte de fabricantes como Danone ou Lactalis, mas também de participantes menores neste mercado em crescimento. Ponto comum, um ingrediente – um óleo rico em ácido araquidônico – fornecido pelo mesmo subcontratado chinês.
Em França, as autoridades de saúde estão a investigar duas mortes de bebés que consumiram leite recolhido – num terceiro caso fatal, a responsabilidade do leite foi descartada no início de Março – mas até ao momento não foi estabelecida nenhuma ligação de causa e efeito.
Por outro lado, a cereulide foi detectada nas fezes de um bebê hospitalizado na França.
O caso também ganhou contorno jurídico, com denúncias de associações e investigações abertas pelo Ministério Público sobre mortes de crianças.