Contra o cancro, o esforço continuará com o financiamento mantido para o vasto plano em curso em França até 2030 e algumas novas funcionalidades, como o rastreio do cancro do pulmão. Subsistem, segundo os especialistas, algumas deficiências, como a prevenção contra o álcool.
“Não devemos abandonar este esforço, devemos fortalecê-lo”, declarou quarta-feira o presidente Emmanuel Macron, anunciando “mais de 1,7 mil milhões de euros investidos ao longo de cinco anos” para financiar a segunda parte do plano anti-cancro 2021-2030, num vídeo transmitido no início de um dia organizado pelo Instituto Nacional do Cancro (Inca). Este é um nível semelhante ao orçamento atribuído por cinco anos a esta “estratégia decenal”.
Este é o herdeiro dos planos contra o cancro lançados nos anos 2000 sob a presidência de Jacques Chirac contra esta patologia que ainda afecta mais de 400.000 franceses por ano e continua a ser a principal causa de morte nos homens e a segunda nas mulheres depois das doenças cardiovasculares.
O plano atual foi lançado em 2021 pelo Sr. Macron, com a ambição de cobrir um vasto campo que vai desde a prevenção à melhoria dos cuidados aos pacientes, incluindo a aceleração do rastreio e o incentivo à investigação de cancros raros ou pediátricos.
A primeira metade da década de 2020 assistiu à implementação de medidas emblemáticas: introdução da vacinação nas escolas secundárias contra o papilomavírus, causa do cancro do colo do útero, ou generalização da proibição de fumar em locais públicos.
O programa para os próximos anos permanece em grande medida em linha com os anteriores. Ainda coordenado pelo Inca, foi apresentado de forma ampla nesta quarta-feira, Dia Mundial do Câncer.
Entre as principais novidades, destaca-se a criação – oficializada no final de 2025 – de um registo nacional de cancro, destinado a melhor compreendê-los, preveni-los e tratá-los.

O Inca também experimentará o rastreamento do câncer de pulmão a partir de março, para avaliar se vale a pena generalizá-lo no futuro junto com os cânceres de mama, colo do útero e colorretal.
Esta experiência deverá incluir, nos próximos dois anos, 20 mil pessoas, com idades compreendidas entre os 50 e os 74 anos, fumadores ou ex-fumadores há menos de 15 anos, em pelo menos dez regiões.
– “Continuidade” –
Ao mesmo tempo, o instituto é responsável por “definir prioridades”, reduzindo o número de medidas do programa para focar em cinco públicos: jovens, idosos, mundo do trabalho, pessoas com deficiência e no exterior.
Mas, no geral, “estamos em continuidade”, comenta o investigador da AFP Manuel Rodrigues, vice-presidente da Sociedade Francesa do Cancro, que saúda particularmente a manutenção do nível de financiamento.
“Esta é a priori uma boa notícia, tinha medo que fosse reduzido”, nota Rodrigues, embora cauteloso quanto ao financiamento do registo oncológico, um projecto que considera muito útil mas provavelmente caro.
Acima de tudo, questiona a forma concreta de implementar esta estratégia, em particular na prevenção, uma preocupação transmitida por outros intervenientes.
“Há cinco anos já dizíamos: + Faremos tudo pela prevenção +… Não vimos sair muita coisa”, acrescenta Philippe Bergerot, presidente da Liga contra o cancro, cauteloso com simples “encantamentos”.
E um pesar expresso por todos com quem a AFP falou: a estratégia anti-cancro continua tímida face ao álcool, dados os progressos alcançados contra o tabaco, com uma queda acentuada no consumo diário desde 2020.
Embora a cessação do tabaco esteja claramente na agenda da estratégia, esta apenas mantém, no que diz respeito ao álcool, o objectivo de lutar contra os “usos nocivos”, centrando-se apenas em determinadas populações: jovens, mulheres grávidas, dependentes de álcool, etc.
“O risco de cancro começa com a primeira bebida: isso justificaria uma política de informação e prevenção para a população em geral, não apenas para as mulheres grávidas e os jovens”, lamenta a viciada Amine Benyamina, presidente da associação Addictions France. Lamenta que a prevenção nesta área esteja “paralisada há três anos”, vendo a influência dos lobbies do vinho e do álcool.