“Tenho certeza de que na criação do mundo aconteceu assim”: a lava de Piton de la Fournaise mergulhou no Oceano Índico durante a noite de domingo para segunda-feira, oferecendo um espetáculo que a Reunião não via há quase vinte anos.
Gilles Aure, um homem de 39 anos da Ilha da Reunião que vive na região de Paris, observa o espetáculo do vulcão em erupção com o seu parceiro e os seus dois filhos a partir de um caminho ao longo do fluxo.
Chegou ao local, no cruzamento das comunas de Sainte-Rose e Saint-Philippe, no sudeste da ilha francesa no Oceano Índico, ao final da tarde de domingo, enquanto a frente de lava estava congelada a 150 metros do oceano.
Na segunda-feira, imagens espetaculares do Observatório Vulcanológico Piton de la Fournaise (OVPF) mostraram o fluxo continuando a fluir para o oceano a partir do penhasco, enquanto alguns curiosos observavam a cena a partir de afloramentos rochosos.
A última vez que a lava chegou ao oceano foi em 2007. Também já tinha atravessado anteriormente a RN2, estrada nacional que liga o leste ao sul da ilha.
Desta vez, três braços de lava cortaram sucessivamente o trânsito na sexta-feira. Eles quase se fundiram na manhã de domingo, cobrindo a estrada com cerca de 250 metros de largura. Tal como nos dias anteriores, a atividade sísmica permanece baixa.
– Milhares de curiosos –
Desde sexta-feira, milhares de pessoas acorreram ao local, onde foram impostas restrições de circulação, fazendo tudo para se aproximarem o máximo possível do fluxo, como este internauta que publica a fotografia de uma panela colocada sobre a lava e a cozinhar rougail, prato emblemático da ilha.
Armada com uma longa vara, uma mulher de quarenta anos vasculha o magma sob o olhar de um fotógrafo. “Estou tentando ver se consigo fazer um cinzeiro”, comenta Arlette, uma mãe que se recusa a dar o sobrenome “para que a polícia não a multe”.
A prefeitura da ilha do Oceano Índico proibiu, de facto, aproximar-se demasiado dos fluxos e centenas de veículos já foram multados por estacionamento ilegal.

Mas o anúncio do encontro de lava e água ampliou ainda mais o influxo na segunda-feira. Muitos dormiram lá em seus veículos. “Para estar o mais próximo possível do amanhecer, é quando as imagens ficam mais bonitas”, explica Kevin Fontaine, um entusiasta da fotografia de 22 anos.
No entanto, as autoridades alertaram para os riscos para a saúde. O encontro da lava com a água “pode impactar a qualidade do ar, nomeadamente através da emissão de dióxido de enxofre (SO2), gás irritante para as vias respiratórias, ou mesmo de partículas em suspensão”, sublinhou a prefeitura num comunicado de imprensa.
A erupção do Piton de la Fournaise, um dos vulcões mais ativos do mundo, começou em 13 de fevereiro. Ramos secundários continuam seu progresso em direção ao RN2, um dos quais estava a 2,1 km da estrada no meio da segunda-feira.
Os cientistas do OVPF não conseguem determinar nesta fase a duração do episódio eruptivo.