Trovão através do Reno. O tribunal de Munique acaba de proibir as vendas de certos modelos emblemáticos da Renault por violação de patente. Se a ameaça for real, a fabricante francesa ainda tem várias alavancas para evitar o pior.

O caso causou polêmica na Alemanha, primeiro mercado externo da fabricante francesa. O Tribunal Regional de Munique I proferiu um veredicto severo na quinta-feira, ordenando que a Renault pare de comercializar seus Clio e Mégane. Mais especificamente, o Clio 5 e o Mégane E-Tech estariam na mira alemã.

Esta decisão surge na sequência de uma denúncia da gigante americana Broadcom, que acusa a marca de diamantes de utilizar tecnologia ligada a ligações Ethernet sem licença. Se a sentença tiver caducado tecnicamente, a sua aplicação continua sujeita a condições financeiras complexas que oferecem um adiamento temporário ao grupo francês.

Uma ameaça de destruição de veículos… em teoria

O julgamento vai surpreendentemente longe. Para além da cessação das vendas, o tribunal menciona a recolha dos veículos em causa aos concessionários para que possam ser destruídos. Uma formulação jurídica de violência rara que chega a preocupar os actuais proprietários.

No entanto, você tem que manter a cabeça fria. Na prática, esta “destruição” consistiria principalmente na remoção ou modificação dos componentes incriminados, em vez de esmagar os carros. Além disso, para que esta sanção se torne executória, a Broadcom deve primeiro depositar uma fiança de vários milhões de euros junto do tribunal. Até que este montante seja pago, a Renault pode prosseguir legalmente as suas atividades comerciais. É uma espada de Dâmocles, mas o fio ainda não se rompeu.

No centro da disputa: uma história de cabos e patentes

O conflito não é sobre o motor ou a bateria, mas sobre como os dados fluem pelo carro. A Broadcom acusa a Renault de infringir sua patente (EP1903733) na tecnologia Ethernet.

Concretamente, a justiça alemã considera que o sistema de navegação do Clio e a unidade de controlo telemático do Mégane utilizam protocolos de comunicação pertencentes à americana, sem que tenham sido pagos os royalties adequados. É esta “tubulação” digital invisível que está paralisando as vendas de veículos hoje.

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O método Broadcom: atacar para melhorar?

A Renault reagiu imediatamente chamando a decisão de errônea e confirmou que iria recorrer. O fabricante também instaurou dois processos de nulidade para tentar invalidar a patente em questão.

No entanto, devemos ler nas entrelinhas desta batalha jurídica. A Broadcom não é novata nisso e está aplicando uma estratégia bem estabelecida. A empresa já realizou ofensivas semelhantes contra Volkswagen, Audi e Tesla. Em 2018, a Volkswagen acabou assinando um cheque substancial em um acordo amigável para evitar o bloqueio de suas fábricas.

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Tudo leva a crer que estamos a assistir a um jogo de póquer mentiroso. O objectivo da Broadcom é provavelmente forçar a Renault a pagar por uma licença global. Por enquanto, o Clio e o Mégane continuam disponíveis nas concessionárias, mas a fabricante francesa sem dúvida terá que sacar o talão de cheques para apagar de vez o incêndio.

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Fonte :

WirtschaftsWoche

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