Se existe uma realidade cruel, neste quarto aniversário da invasão da Ucrânia pela Rússia, é o fosso entre as declarações de intenções favoráveis a um acordo de paz e a análise detalhada do equilíbrio de poder militar entre Kiev e Moscovo. Depois de mais um ano de balé diplomático e enquanto os apoiantes de Kiev ainda se devem reunir, terça-feira, 24 de Fevereiro, em Paris, uma corrida lenta, alimentada pela ambiguidade estratégica, está na realidade a decorrer entre os dois inimigos e os seus aliados, com cenários de resolução de conflitos muito indecisos.
“Ambos os lados estão queimando, mas a questão é qual deles está queimando mais rápido. É a mesma corrida, um pouco cínica, que vem acontecendo desde 2022”resume Elie Tenenbaum, diretor do centro de segurança do Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI). Para Moscovo, a guerra na Ucrânia, apesar da sua brutalidade, é semelhante a um veneno lento capaz de minar as democracias ocidentais forçadas a gastos colossais com a defesa. Do lado europeu, ainda existe a aposta numa desestabilização do poder russo, sob o peso das sanções económicas e das dificuldades no recrutamento de combatentes.
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