As obras de emergência começaram desde o final de fevereiro em Saint-Palais-sur-Mer, perto de Royan (Charente-Maritime), para “proteger” uma praia ameaçada pela queda de árvores enfraquecidas pela erosão e pelas tempestades Nils e Pedro.

Na zona, a costa recua cerca de 10 a 15 metros por ano e as tempestades de inverno danificaram as árvores da floresta de Combots d’Ansoine que margeia a praia de Lède, frequentada por milhares de visitantes de verão todos os anos.

“Temos que cortar e evacuar as árvores para proteger os utentes, porque ameaçam cair na praia”, explicou Samuel Gendrillon, técnico florestal do Gabinete Nacional de Florestas (ONF), na quarta-feira, durante uma conferência de imprensa em frente à duna “totalmente destruída por sucessivas tempestades”.

Uma “cem” pinheiros-bravos estão a desaparecer da paisagem numa “faixa com 900 metros de comprimento e 20 metros de profundidade”, composta também por um sub-bosque de azinheiras e outras plantas.

“Trata-se também de evitar que entrem no oceano, o que poderia criar choques com barcos ou fazendas de ostras”, nesta área perto de Marennes-Oléron, acrescentou Gendrillon.

Para Jean-Michel Laloue, técnico do Conservatoire du Littoral, proprietário da floresta, “é de partir o coração evacuar estas árvores, mas não temos escolha”.

“É uma adaptação às alterações climáticas. Não estamos a resolver o problema, mas sim as suas consequências”, acrescenta, especificando que guarda as raízes das árvores cortadas para “reter a areia”.

As ondas quebram em uma estrutura de pedra destinada a proteger os bangalôs de um acampamento à beira do Oceano Atlântico em Soulac-sur-Mer, Gironde, 4 de março de 2026 (AFP - Christophe ARCHAMBAULT)
As ondas quebram em uma estrutura de pedra destinada a proteger os bangalôs de um acampamento à beira do Oceano Atlântico em Soulac-sur-Mer, Gironde, 4 de março de 2026 (AFP – Christophe ARCHAMBAULT)

Segundo a ONF, “esta iluminação permitirá o reaparecimento da vegetação na duna cinzenta”, que funciona como zona tampão entre a praia e a floresta, “daí a importância de não pisar as dunas”.

“É um lugar que vemos mudar. Acompanhamos de perto essas questões de erosão, mas vemos que cada vez é o mar que vence”, declarou Isabelle Prud’homme, vice-prefeita de Saint-Palais-sur-Mer que veio ver o andamento da obra, que está mudando o panorama do local, ao despojá-lo de parte da orla da floresta.

Segundo o eleito, uma ciclovia vizinha também “perdeu 12 metros” durante o inverno, necessitando de um desvio.

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