euAs eleições legislativas japonesas de 8 de Fevereiro marcam um ponto de viragem na história política do país: um regresso, com uma maioria de dois terços, nunca antes alcançada, do Partido Liberal Democrata (LDP). No poder quase continuamente desde 1955, mas enfraquecido por uma série de escândalos, perdeu a maioria em ambas as câmaras. Esta vitória, obtida graças ao activismo da Primeira-Ministra Sanae Takaichi, é sintomática de um movimento de direita no Japão, abrindo caminho para uma mudança no seu posicionamento na cena internacional.
A vitória esmagadora do PLD é acompanhada pela derrota da oposição, a centrista Aliança para a Reforma (ACR), composta pelo Partido Democrático Constitucional (PDC) e pelo partido Komei. Pela sua magnitude, esta derrota é tão significativa quanto a vitória do PLD. Reflete a crescente indiferença do eleitorado aos valores, defendidos pela ACR, sobre os quais o Japão se reconstruiu após a derrota de 1945: o compromisso pacifista consagrado no artigo 9.º da Constituição de 1946 (“o povo japonês renuncia para sempre à guerra como direito soberano ou à ameaça como meio de resolver conflitos internacionais”) e os três princípios não nucleares (“não possuir, não fabricar ou introduzir em seu território armas nucleares”)adotado em 1967.
Este pacifismo constitucional, interpretado ao longo dos anos para permitir ao Japão equipar-se com um exército moderno (250.000 homens) – nunca esteve envolvido num conflito e a sua acção permanece limitada à defesa do Arquipélago, como o próprio nome indica, Forças de Autodefesa –, permaneceu um pilar da política externa do Japão. Mmeu Takaichi, uma figura de extrema direita no PLD, pretende modificar este nome para que o exército japonês tenha os atributos de qualquer exército. Além disso, ela não descarta retornar nos três princípios antinucleares. A hipótese da posse de armas nucleares pelo primeiro país vítima do fogo atômico já é tema de debate na mídia.
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