Mulheres seguram cartazes com os dizeres “Somos 2.074 e contamos, nunca mais esterilizações forçadas”, “Nunca mais ditadura” durante uma manifestação contra a discriminação e a violência contra as mulheres em Lima, 25 de novembro de 2017.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) declarou o Peru na quinta-feira, 5 de março, responsável pela esterilização forçada e morte em 1997 de uma camponesa, uma prática sistemática da qual cerca de 300 mil mulheres foram vítimas.

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Na década de 1990, o país estava no meio de um violento conflito interno entre guerrilheiros de extrema esquerda e o governo de Alberto Fujimori (1990-2000), que morreu em 2024 depois de passar dezasseis anos na prisão por violações dos direitos humanos. Naquela época, em todo o país, mulheres pobres e sem instrução, muitas delas indígenas Quechua, foram esterilizadas à força.

Em 2023, a justiça peruana reconheceu que “esterilizações involuntárias” faziam parte de um “política pública”. Em 2024, o Comité das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres (Cedaw) denunciou uma prática “sistêmico” tendo afetado “300.000 mulheres”.

Pressionado a se submeter à laqueadura tubária

A CIDH, com sede em San José, Costa Rica, “declarou a responsabilidade internacional do Estado peruano pela esterilização forçada e posterior morte” de Celia Edith Ramos Durand, afirma o acórdão lido pelo seu presidente, Rodrigo Mudrovitsch.

Mmeu Ramos Durand, que faleceu após o procedimento, teria recebido visitas constantes de profissionais de saúde para convencê-la a fazer laqueadura de trompas, segundo denúncia apresentada à Justiça Interamericana.

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Mais de 7.000 mulheres constam do cadastro criado pelo Estado para identificar as vítimas. No entanto, apenas 3.000 casos são objecto de uma investigação preliminar e nenhuma condenação foi ainda proferida, de acordo com a acusação.

As vítimas alegam que foram enganadas ou forçadas a submeter-se a esterilizações em clínicas sem infraestrutura adequada e pessoal qualificado. Alguns nem sabiam ler ou falar espanhol ou não compreenderam a natureza da intervenção.

O mundo com AFP

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