As buscas pelas 13 pessoas ainda desaparecidas após as chuvas torrenciais no sudeste do Brasil continuaram na quinta-feira, enquanto as evacuações continuavam face a um novo episódio de precipitação e o número de mortos foi reavaliado em 55 mortos.
Chuvas de magnitude sem precedentes assolaram nesta segunda-feira os municípios de Juiz de Fora e Ubá, região montanhosa do estado de Minas Gerais. As vítimas perderam a vida em inundações, desmoronamentos de edifícios, deslizamentos de terra e outros deslizamentos de terra. E mais de 5.000 pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas.
Durante a noite de quarta para quinta, novas precipitações inundaram as ruas e causaram novos deslizamentos de terra. De acordo com as previsões meteorológicas, a previsão é que durem até o fim de semana.
“Todo mundo está em pânico, amigos e parentes perguntam como estamos, parece um filme de terror”, acrescentou aos prantos este morador do Parque Burnier, um dos bairros mais afetados de Juiz de Fora, com 12 mortos e 8 desaparecidos.
No bairro dos Três Moinhos, três casas evacuadas pelos seus moradores foram soterradas durante a madrugada por novos deslizamentos de terra, notou a AFP.
Vários moradores que tiveram de abandonar as suas casas vieram na quinta-feira recolher às pressas, com os pés na lama, móveis, eletrodomésticos, colchões ou mesmo animais de estimação que tinham deixado para trás.
“As pessoas têm que correr e não têm tempo de levar seus animais de estimação. Cabe a nós salvá-los dos escombros, examiná-los e depois devolvê-los aos seus donos”, disse à AFP Marina Souza, veterinária voluntária do Grupo de Resgate de Animais em Desastres Naturais (Grad).
Juiz de Fora registrou, entre domingo e terça-feira, 229,9 mm de chuva. No mês, o acumulado alcançado na terça-feira foi de 579 mm, volume 240% superior à média de fevereiro, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.
“Todos esses fenômenos climáticos sempre existiram, mas hoje, com o aquecimento global, a atmosfera tem mais energia”, tornando-os mais extremos, disse à AFP Carlos Nobre, renomado meteorologista brasileiro.
“Neste caso, foi uma chuva associada a um sistema de frente fria passageira, e o Oceano Atlântico estava muito quente. Isso provocou muita evaporação de água e levou à formação de nuvens cumulonimbus, que provocaram estas chuvas torrenciais”, acrescentou.

Esta tragédia se junta a outros desastres causados pelo mau tempo no Brasil nos últimos anos, eventos que os cientistas associaram em vários casos aos efeitos do aquecimento global.
Em 2024, enchentes sem precedentes atingiram o sul do país e causaram mais de 200 mortes e dois milhões de vítimas, num dos piores desastres naturais da história brasileira.