O tribunal criminal de Paris profere esta segunda-feira a sua decisão relativa à Assistance publique-Hôpitaux de Paris (AP-HP), julgada por “homicídio involuntário” após a morte de Micheline Myrtil nas urgências do hospital Lariboisière em 2018, caso em que o Ministério Público pediu a absolvição.

Durante o julgamento, no final de novembro, o Ministério Público considerou que a responsabilidade criminal da instituição não poderia ser acionada por falta de “certo nexo causal” estabelecido entre o mau funcionamento do serviço e a morte deste paciente.

Diante desta posição do Ministério Público, as partes civis esperam uma condenação.

“A família da senhora Myrtil está esperando que o tribunal tome a medida completa da responsabilidade criminal da AP-HP”, disse seu advogado, Eddy Arneton, à AFP.

Os fatos remontam à noite de 17 para 18 de dezembro de 2018. Micheline Myrtil, 55 anos, natural da Martinica, foi levada ao pronto-socorro pelos bombeiros por volta das 19h, queixando-se de dores de cabeça e nas panturrilhas.

Apesar de constatada febre de 40,1°C em sua chegada, ela foi encaminhada para o “curto-circuito” e colocada na sala de espera.

Por volta da meia-noite, a equipe ligou para ela duas vezes com uma identidade incorreta (“Myatil” em vez de “Myrtil”) e ela não atendeu.

Considerada erroneamente uma festa, ela foi registrada como “fugindo” no software do hospital às 1h18.

Na verdade, o cinquentão ainda estava numa maca, num canto da sala, sem supervisão. Ela foi descoberta morta lá às 6h por um cuidador do turno da noite.

Posteriormente, uma autópsia revelou morte devido a “insuficiência respiratória aguda” causada por infecção meningocócica invasiva.

No seu despacho de remessa, o juiz de instrução apontou “negligência grave” por parte do hospital, acusado de ter deixado o doente “durante mais de cinco horas” sem cuidados médicos em instalações “subdimensionadas” e com pessoal “insuficiente”.

Na audiência, Mario Stasi, advogado da AP-HP, pediu a absolvição, citando uma situação “excepcional” naquela noite, marcada pelo afluxo de pacientes e pela ausência inesperada de um médico.

No plano médico, a defesa contesta formalmente a ligação direta entre a falta de cuidados e a morte. Baseia-se em opiniões de especialistas que destacam a dificuldade de diagnosticar esta infecção com sintomas atípicos e curso “impressionante”.

Segundo a AP-HP, um tratamento mais rápido teria oferecido apenas uma chance de sobrevivência (estimada em 75% pelos especialistas), o que caracteriza uma “perda de chance”, mas não é suficiente para constituir o crime de homicídio culposo.

Este drama tinha, na altura, alimentado fortemente o debate sobre a crise dos hospitais públicos e a falta de recursos denunciada pelos sindicatos.

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