Prenunciemos, antes de mais, ao ódio certificado de Donald Trump pelo regime de Nicolas Maduro. Acrescentemos a localização da Venezuela no quintal, ou reivindicada como tal, dos Estados Unidos, de acordo com a Doutrina Monroe modificada por Theodore Roosevelt. Corresponde à propensão do presidente republicano de não reconhecer nenhum contrapoder. Acrescentemos também o seu uso totalmente desinibido das forças armadas, como o envio de tropas para cidades americanas ou a diatribe eleitoral proferida no porta-aviões USS George Washington em Yokosuka, Japão, terça-feira, 28 de outubro, continuam a demonstrar isso. Obtemos então a concentração de 10% dos edifícios atualmente implantados pela Marinha Americana perto da costa venezuelana.
Não nos desviamos do Adriático, onde cruzou o maior porta-aviões dos Estados Unidos, o USS Gerald-R.-Ford, bem como o grupo de ataque de porta-aviões que o acompanha para se juntar a dois destróieres, navios de assalto anfíbio, um cruzador e um submarino de ataque já no local para fazer apenas arabescos no Mar do Caribe, sem falar nos caças F-35 também posicionados nas proximidades, em Porto Rico. Quando os preparativos se assemelham fortemente aos de uma tentativa de mudança de regime pela força, não devemos excluir que seja um deles. Passada a época do Prémio Nobel da Paz, tudo é possível.
Há mais de oito anos, em agosto de 2017, Donald Trump afirmou ter “muitas opções para a Venezuela, incluindo uma possível opção militar, se necessário”. Já se tratava de pôr fim ao regime venezuelano. Menos de dois anos e depois de uma controversa reeleição de Nicolás Maduro, um arquitecto da experiência desastrosa da mudança de regime iraquiano de 2003, John Bolton, também tomou medidas.
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