
Os Estados Unidos declaram guerra às organizações criminosas por trás dos golpes de criptomoeda. As autoridades criaram uma divisão especial, a “Scam Center Strike Force”, para acabar com os gangues que utilizam centros de fraude para roubar investidores. A nova divisão já apreendeu US$ 400 milhões em criptomoedas.
Os ataques dos Estados Unidos golpes de criptomoeda orquestrada a partir do Sudeste Asiático. Para pôr fim às operações de diversas organizações criminosas, o Departamento de Justiça acaba de anunciar a criação de uma unidade especial, denominada “Scam Center Strike Force”. A unidade é composta por membros de diversas agências federais dos EUA, incluindo o FBI, o Serviço Secreto, o
A divisão especial visa principalmente “centros de fraude” (“centros de fraude” em francês), estabelecidos em países como Birmânia, Camboja e Laos. Dirigidas por organizações mafiosas chinesas, estas verdadeiras fábricas de fraude empregam milhares de trabalhadores. Muitas vezes, trata-se de escravos resultantes do tráfico de seres humanos. Sob a mira de uma arma, eles organizam golpes em larga escala, seja por telefone ou pela Internet.
“As pessoas que trabalham nestas redes são frequentemente vítimas de tráfico de seres humanos, detidas contra a sua vontade, maltratadas e protegidas por grupos armados que as instruem a atacar os americanos”explica o Departamento de Justiça em comunicado à imprensa.
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10 mil milhões de dólares nos bolsos das organizações criminosas chinesas
Segundo as autoridades americanas, mais de 10 bilhões de dólares foram roubados de vítimas residentes nos Estados Unidos no ano passado. As táticas dos criminosos são tão banais quanto eficazes. Através de redes sociais e aplicativos de mensagens, os fraudadores entram em contato com seus alvos prometendo-lhes investimentos com retornos estratosféricos. Uma vez conquistada a confiança, o dinheiro é desviado para plataformas fictícias. Não é mais possível aos usuários receberem seu dinheiro de volta. Suas criptomoedas são enviadas para outros endereços no blockchain e acabam nos bolsos de organizações mafiosas.
Em certas regiões, o dinheiro gerado por estas fraudes representa até metade do PIB, sublinha o sistema de justiça americano. Os fundos são frequentemente usados para financiar grupos paramilitaresenvolvido na guerra civil que assola alguns países do Sudeste Asiático, como a Birmânia.
US$ 400 milhões em criptomoedas já apreendidos
Para acabar com as organizações criminosas que organizam fraudes, a divisão especial criada pelos Estados Unidos já confiscou mais de 400 milhões de dólares em criptomoedasdos quais 80 milhões ainda estão pendentes de processos judiciais. A unidade também visa identificar e processar os líderes das redes criminosas e devolver os fundos apreendidos às vítimas. Com o apoio de empresas privadas, a divisão espera conseguir impedir que organizações mafiosas tenham acesso à infraestrutura digital americana, como redes sociais e provedores de hospedagem. Na verdade, muitos sites fraudulentos operados por criminosos estão hospedados nos Estados Unidos.
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Os Estados Unidos estão atualmente realizando apreensões de criptomoedas. Em muitos casos, as apreensões visam grupos criminosos de origem chinesa. Há algumas semanas, a justiça americana anunciou a maior apreensão de criptomoedas da história. Ao desmantelar uma organização criminosa em expansão baseada no Camboja, o “Grupo Prince”, as autoridades colocaram de facto as mãos em US$ 15 bilhões em bitcoins. Novas ações judiciais estão por vir, anuncia o Departamento de Justiça.
Se a política atual permanecer inalterada, os bitcoins apreendidos serão integrados numa reserva nacional de criptomoedas, uma iniciativa lançada durante o segundo mandato de Donald Trump. O procurador federal responsável pela “Scam Center Strike Force” lembra ainda que “O presidente Trump pretende tornar os Estados Unidos o reduto mundial das criptomoedas”. É, portanto, absolutamente essencial que os americanos sejam educados e protegidos, a fim de “para usar esses ativos com segurança”.
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