Um campo de arroz em Chiba (Japão), 27 de agosto de 2017.

Alimento básico na Ásia, o arroz não é apenas um alimento no Arquipélago. Símbolo de fertilidade e trabalho conjunto, o cultivo do arroz, que estrutura o calendário tradicional e foi por muito tempo o padrão de riqueza, foi percebido durante séculos como o alicerce da civilização japonesa.

A escassez de arroz que actualmente atinge o Japão, levando ao aumento do preço, tem várias causas: envelhecimento dos agricultores, desertificação do campo, alterações climáticas, efeitos perversos da política agrícola, com redução das áreas cultivadas para evitar a sobreprodução e uma limitação drástica das importações. Em 1993, a pressão dos Estados Unidos para abrir o mercado japonês de arroz provocou forte oposição dos agricultores, dos partidos políticos e da população.

Um clamor que revela o peso político dos agricultores – cujas cooperativas apoiam o Partido Liberal Democrata (PLD), no poder – mas também o valor simbólico do arroz cultivado localmente. A pressão americana resultou numa abertura parcial do mercado no âmbito de um acordo de acesso mínimo. Em 2025, por outro lado, devido à escassez, o Japão teve que importar massivamente arroz estrangeiro. Os efeitos da guerra no Médio Oriente, com o aumento do custo dos fertilizantes e dos transportes, ajudaram a manter o preço do arroz a subir.

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