O senador Flavio Bolsonaro (filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, centro) comemora a votação que anula o veto do presidente Lula a um projeto de lei para reduzir as penas dos condenados por tentativa de golpe de Estado, no Parlamento em Brasília, 30 de abril de 2026.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como “Lula”, sofreu dois amargos reveses em menos de vinte e quatro horas. Na quinta-feira, 30 de abril, o Congresso cancelou o veto a uma lei que abria caminho à redução da pena de prisão do seu antecessor Jair Bolsonaro, depois de já ter rejeitado, na noite de quarta-feira, o candidato que nomeara ao Supremo, o que não acontecia há décadas.

Estes acontecimentos ocorrem seis meses antes das eleições durante as quais o presidente de esquerda, de 80 anos, deve procurar um quarto mandato sem precedentes, enfrentando nomeadamente o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do antigo chefe de estado de extrema direita (2019-2022).

Por 318 votos a 144 entre os deputados e 49 a 24 no Senado, os parlamentares validaram assim, na quinta-feira, em sessão conjunta das duas câmaras, uma lei que altera o método de cálculo do tempo de detenção, em benefício de Jair Bolsonaro e outros condenados pelo Supremo por tentativa de golpe de Estado. Lula censurou este texto aprovado no final de 2025 em janeiro.

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Quando o resultado final foi anunciado nas telas, os parlamentares conservadores, agrupados no centro do hemiciclo, começaram a pular em uníssono, como torcedores de futebol, gritando: ” Liberdade ! “

A redução das penas prevista neste texto também poderá favorecer os condenados pela participação nos tumultos de 8 de janeiro de 2023, quando uma multidão de simpatizantes bolsonaristas saquearam locais de poder em Brasília. Segundo o Supremo Tribunal, este ataque foi parte integrante do projecto golpista.

“Este é um primeiro passo para a justiça total para os perseguidos em 8 de janeiro”exultou, na rede X, Flávio Bolsonaro, que agradeceu aos pares por isso “presente de aniversário” em seu 45º aniversário. “O governo Lula acabou, para grande alegria dos brasileiros”este senador havia afirmado antes da votação que as últimas pesquisas o colocavam lado a lado com Lula para as eleições presidenciais de outubro.

Uma sessão parlamentar sob alta tensão

“Para o maior líder da direita, Jair Bolsonaro, a direita vota “não” [au veto] e espera que uma anistia geral venha com a eleição de Flávio Bolsonaro”lançou o deputado bolsonarista Luciano Zucco durante uma sessão marcada por gritos e insultos vindos dos dois campos.

Em setembro, Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal, que o considerou culpado de conspirar para permanecer no poder, apesar da derrota eleitoral contra Lula em 2022. Pelas regras anteriores, o ex-presidente, de 71 anos, que atualmente cumpre pena em casa por motivos de saúde, só poderia se beneficiar de um ajuste nessa pena a partir de 2033. A nova lei permitiria reduzir esse prazo. Os advogados de Jair Bolsonaro terão que entrar com um pedido para que o Supremo recalcule a modificação da sentença.

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“Bolsonaro não ganhou nas urnas e queria ganhar pela força, por isso a anistia e a aprovação desta lei equivalem a permitir que isso aconteça novamente”denunciou Gleisi Hoffmann, deputada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula.

Vários parlamentares de esquerda apelaram à defesa da democracia num país ainda marcado pelos anos de ditadura militar (1964-1985). “O que aconteceu aqui hoje é perigoso, o avanço da extrema direita sugere novos ataques à democracia no futuro”acrescentou Pedro Uczai, líder do PT na Câmara.

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O mundo com AFP

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