É melhor prevenir do que remediar, inclusive no espaço mediático. Várias iniciativas dos meios científico e político têm saído em defesa das vacinas nos últimos dias, por ocasião da Semana Internacional da Imunização, que decorreu de 24 a 30 de abril.
A sombra do secretário de Saúde americano, muito antivacina, Robert F. Kennedy Jr, paira sobre esta questão de saúde, fazendo com que os especialistas temam a contaminação do espaço público francês pelos Estados Unidos. Do outro lado do Atlântico, a administração Trump desestabilizou a estratégia de vacinas defendida pelos médicos americanos, em particular semeando confusão em torno de uma possível ligação entre o autismo e a vacinação contra o sarampo.
Uma aliança para“imunização e prevenção de infecções” foi lançada na quarta-feira, 29 de abril, na Assembleia Nacional, sob o patrocínio de Yannick Neuder, deputado (Les Républicains) de Isère e ministro da saúde de dezembro de 2024 a outubro de 2025. A ambição desta coligação de “sociedades científicas, profissionais de saúde, pacientes e usuários, políticos, atores de inovação industrial e de saúde, seguradoras e sociedades mútuas” é, portanto, restaurar a confiança na vacinação.
“Célula de resposta”
“Não queremos substituir as autoridades de saúde, que fazem muito bem o seu trabalho, mas sim aproximar os diferentes atores”especifica François Sarkozy, irmão do ex-chefe de Estado e presidente de uma consultoria especializada em saúde, que será o coordenador da aliança. Ele e Yannick Neuder discutem a organização de conferências, a redação de colunas e o aumento da presença nas redes sociais. Para o MP, o Ministério da Saúde poderia, nomeadamente, dotar-se de um “célula de resposta” nutrido pela expertise das agências de saúde, em linha com o que foi feito no Ministério das Relações Exteriores com a conta “Resposta Francesa” sobre X.
A um ano das eleições presidenciais, cabe também ao deputado da LR manifestar os seus receios sobre uma possível chegada ao poder do Comício Nacional. “Temo que a saúde pública seja liderada amanhã por um partido que não se preocupa muito com as evidências científicas, o que é uma abordagem muito trumpista”escorrega, lembrando que, durante a pandemia de Covid-19, Marine Le Pen apoiou a prescrição de hidroxicloroquina e a compra de vacinas russas, e que Jordan Bardella defende a abolição das agências regionais de saúde (ARS).
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