A Comissão Europeia deu um novo passo. A sua presidente, Ursula von der Leyen, anunciou que uma aplicativo O sistema europeu de verificação de idade era agora “ tecnicamente pronto », depois de mais de um ano de testes em vários Estados-Membros. O objetivo é claro: permitir que os utilizadores comprovem a sua idade online sem revelar a sua identidade.
A operação pretende ser simples, após o download da aplicação o utilizador deverá apresentar um comprovativo oficial de identidade (bilhete de identidade, passaporte) para comprovar de uma vez por todas a sua idade. Posteriormente, ao aceder a uma plataforma sujeita a restrição de idade, será Código QR é exibido. O usuário o escaneia, insere um PIN e o aplicativo apenas confirma se o requisito de idade foi atendido, sem transmitir mais dados.
Entre a proteção e o respeito pela vida privada
Segundo Ursula von der Leyen, este dispositivo permitiria a verificação “ completamente anônimo e sem possibilidade de rastreamento “. Uma questão central, embora certas plataformas ainda utilizem métodos mais intrusivos, como a análise facial para estimar a idade dos utilizadores. Estas práticas são regularmente criticadas pelo Comissão Nacional de Tecnologia da Informação e Liberdades (CNIL) devido aos riscos associados aos dados biométricos (violação da privacidade, fuga, pirataria informática, etc.). No entanto, esta nova solução europeia já levanta questões. Do especialistas em segurança cibernética demonstrou que seria possível contornar certos mecanismos de autenticação. O desafio é, portanto, elevado: proteger eficazmente os menores sem estabelecer uma vigilância generalizada dos utilizadores.

O objetivo de um aplicativo de verificação europeu seguro.© Imagem gerada por Midjourney / @Legacy
Para responder a estas preocupações, a Comissão Europeia conta com transparência. O aplicativo é de código aberto, o que significa que seu código é acessível publicamente e pode ser auditado por especialistas independentes. O objetivo é construir confiança, garantindo que apenas os dados estritamente necessários sejam utilizados. Apesar destas garantias, várias organizações que defendem as liberdades digitais permanecem céticas e acreditam que este tipo de sistema pode minar as liberdades públicas, ao mesmo tempo que retira responsabilidades às plataformas.
A implantação do aplicativo ainda é incerta?
A eficácia do sistema dependerá em grande medida da sua adoção pelas grandes plataformas, no âmbito da Lei dos Serviços Digitais. Entrando em vigor em 2024, esta legislação europeia impõe regras rigorosas às grandes plataformas em matéria protecção dos utilizadores, especialmente dos mais jovens. Segundo a Comissão Europeia, a integração desta nova plataforma deverá ser simples e padronizada.

Para evitar a fragmentação em 27 sistemas diferentes, a Comissão criará este mês um mecanismo de coordenação a nível da UE. ©Pexels
A aplicação será implementada gradualmente nos 27 estados membros da União Europeia. Os próximos meses serão, portanto, decisivos para avaliar a sua efetiva adoção e verificar se as promessas em termos de proteção de dados e eficiência são cumpridas.
Menores diante da Internet: acesso cada vez mais precoce
Hoje, uma observação é evidente em muitos países: as crianças acedem à Internet cada vez mais cedo, muitas vezes sem supervisão real. De acordo com um relatório publicado em 2023 pela Ofcom, 99% dos jovens entre os 12 e os 15 anos no Reino Unido utilizam a Internet e 91% têm um perfil em pelo menos uma plataforma social, apesar da idade mínima geralmente fixada nos 13 anos. A CNIL sublinha nos seus estudos sobre utilizações digitais que muitos menores acedem redes sociais antes da maioridade, contornando sistemas de verificação considerados não confiáveis.
Regulamentação da Internet em escala global
Face a esta realidade, vários países reforçaram o seu quadro legislativo no sentido de melhor regular o acesso dos menores às redes sociais, fixando uma idade mínima de registo que permanece, na maioria dos casos, fixada nos 13 anos.
Redes sociais: controle de idade reforçado!
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No Reino Unido, a Lei de Segurança Online impõe agora obrigações reforçadas às plataformas, especialmente em termos de verificação da idade. A Austrália, através do seu regulador eSafety Commissioner, também está a trabalhar para restringir o acesso de menores a determinados serviços digitais. Em Portugal, estão em curso discussões para reforçar o controlo parental no quadro das políticas europeias da Lei dos Serviços Digitais.