
Esta pré-qualificação do primeiro tratamento concebido especificamente para recém-nascidos e lactentes com peso entre dois e cinco quilogramas permite que agências especializadas da ONU, como a Aliança para Vacinas (Gavi) e a Unicef, o comprem para distribuição em países com recursos limitados.
Pré-qualificação “certifica que o medicamento atende aos padrões internacionais de qualidade, segurança e eficácia e ajudará a expandir o acesso a tratamento de qualidade para um dos grupos de pacientes mais vulneráveis“, anunciou a OMS em comunicado de imprensa.
Este novo tratamento pré-qualificado, arteméter-lumefantrina, é a primeira formulação antimalárica especificamente concebida para pacientes muito jovens com malária.
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Até agora não existem fórmulas adequadas para lactentes
Até agora, os bebés eram tratados com formulações destinadas a crianças mais velhas, o que aumentava os riscos de erros de dosagem, efeitos secundários e toxicidade, explica a organização.
“Durante séculos, a malária separou as crianças dos seus pais e roubou às comunidades a saúde, a riqueza e a esperança“, sublinhou Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS.
“Mas hoje a situação está mudando. Novas vacinas, testes de diagnóstico, redes mosquiteiras de última geração e medicamentos eficazes, incluindo os adequados para os mais jovens, estão a ajudar a inverter a tendência“, continuou ele.
A pré-qualificação da OMS permitirá aos governos adjudicar contratos, ajudando a colmatar uma lacuna persistente no tratamento de cerca de 30 milhões de bebés nascidos todos os anos em zonas de África onde a malária é endémica.
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Três novos testes de triagem pré-qualificados também
Além disso, a OMS também pré-qualificou três novos testes de diagnóstico rápido (RDT) concebidos para enfrentar novos desafios de rastreio. Os RDT mais comuns funcionam através da detecção da proteína HRP2, mas estudos mostram que algumas estirpes do parasita da malária já não revelam esta proteína, tornando-se invisíveis a estes testes.
Nos países do Corno de África, até 80% dos casos não foram diagnosticados, levando a atrasos no tratamento, formas graves da doença e até mortes.
Os novos testes abordam este problema visando outra proteína (pf-LDH) que o parasita da malária não consegue eliminar facilmente. Estes anúncios surgem na véspera do Dia Mundial da Malária, durante o qual a OMS e os seus parceiros pretendem lançar um apelo à mobilização.
O Relatório Mundial sobre a Malária 2025 estimou 282 milhões de casos e 610.000 mortes em 2024, um aumento em comparação com 2023.
Embora 47 países tenham sido certificados como livres e 37 países tenham notificado menos de 1.000 casos em 2024, o progresso a nível mundial está estagnado, especialmente face à resistência aos medicamentos e aos insecticidas, às falhas de diagnóstico e à redução acentuada da ajuda internacional ao desenvolvimento, de acordo com a OMS.