Numa longa entrevista concedida ao site Deadline antes da apresentação em Cannes do seu filme “Killers of The Flower Moon”, Martin Scorsese falou sobre a génese da obra-prima de Spielberg, que ele concordou em dirigir antes de mudar de ideia.
Entre estes filmes que marcaram a história do cinema, A Lista de Schindler ocupa, sem dúvida, um lugar especial; aparecendo até mesmo entre os 100 melhores filmes de todos os tempos, segundo a bíblia de Hollywood que é o Hollywood Reporter.
Em 1982. Steven Spielberg triunfou nas bilheterias mundiais com ET. Foi também nesse ano que descobriu uma obra de um autor australiano, Thomas Keneally: A Lista de Schindlertraduzido na França em 1984.
“Houve um preço a pagar por esse papel”: ele é um dos maiores vilões da história do cinema e ainda nos assombra 30 anos depois
A história de Oskar Schindler, um industrial nazista convicto, que acabou salvando cerca de 1.300 judeus da deportação ao engolir sua fortuna. Uma história que o perturba e que deseja adaptar ao cinema; mas “não se sentindo emocionalmente pronto” -como ele mesmo dirá-, tentou durante muito tempo confiar o projeto do filme a outros diretores, antes de mudar de ideia.
Em primeiro lugar Romano Polanskyque recusa: esta história é muito próxima da sua, daquele que escapou ainda criança do terrível gueto de Cracóvia, enquanto a sua família era exterminada em Auschwitz. Spielberg também considera confiar a produção a Billy Wilder, que dirigiria seu último filme lá. Ou mesmo Martin Scorsese, inicialmente interessado, antes de recusar a oferta: “este filme deve ser dirigido por uma pessoa de fé judaica” ele disse a ela.
“Admito que tinha dúvidas…”
Em entrevista fluvial concedida ao site Prazo final antes da apresentação em Cannes do seu filme Killers of The Flower Moon, Scorsese regressou em particular à génese do filme de Spielberg, que ajudou a instigar com a ajuda do (brilhante) argumentista Steven Zaillian, a quem devemos nomeadamente o guião de Gangs of New York.
“Para A Lista de Schindler, contratei Steven Zaillian e estávamos ambos trabalhando no roteiro. A Última Tentação de Cristo.
Imagens Universais
Lembro que Spielberg, ao longo dos anos, continuou me contando sobre o livro. Ele me mostrou quando estávamos no avião para Cannes e me disse: “Este é meu futuro grande filme e vou dirigi-lo”. […] E eu disse: “Bem, tenho A Última Tentação de Cristo ao meu lado e vou fazer isso também.
Na época, eu dizia “Não sou judeu!” O que eu quis dizer foi que a história tinha que ser contada por um judeu, e acho que Spielberg concordou comigo. […] Ele me disse que havia apenas 200 judeus em Phoenix, onde ele cresceu. Eu não pude acreditar. Eu sou do Upper East Side e cresci nessa comunidade. Eu não estava sendo altruísta, fazia sentido que ele se encarregasse desse projeto. Tive medo de não estar à altura da tarefa.”
“Quando você viu o resultado final, qual foi o seu sentimento?” o jornalista pergunta a ele. Scorsese responde: “Se eu tivesse feito o filme, não teria sido o sucesso que se tornou. Poderia ter sido bom. Eu tinha ideias, a maioria das quais acabou no filme [de Spielberg]. Tive um final diferente. Tenho grande admiração pelo filme dele.”
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