Olivier Schmitt é professor do Instituto de Operações Militares da Academia de Defesa Dinamarquesa. O seu trabalho centra-se na segurança europeia e nas operações militares contemporâneas. Ele publica Prepare-se para a guerra. Estratégia, inovação e poder militar na contemporaneidade (PUF, 2024).
Que inovações tecnológicas contém a guerra iniciada em 28 de fevereiro de 2026 entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão? Foi ultrapassado um limiar qualitativo?
Não é uma única tecnologia que faz a diferença, mas a integração de várias delas numa arquitetura operacional coerente. Do lado americano-israelense, o limiar ultrapassado é precisamente esse. Quase 900 ataques em doze horas requerem planeamento assistido por inteligência artificial (IA), integração em tempo real de dados de satélite e a implantação massiva de drones autónomos de baixo custo para saturar as defesas aéreas iranianas e abrir janelas de ataque para plataformas mais sofisticadas. É a eficácia da combinação (IA para seleção de alvos, drones, ataques de precisão, inteligência espacial) que constitui a novidade. Pela primeira vez, observamos nesta escala o que os estrategistas chamam “precisão de massa”.
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